Mademoiselle Paradis

Ficha técnica


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País


Sinopse

No século 18, em Viena, a jovem pianista Maria Theresia von Paradis causa admiração nas altas rodas da elite com seu talento, apesar da cegueira. Quando um médico< Franz Anton Mesmer, ganha fama por experimentar métodos alternativos de cura, os pais da moça resolvem tentar recuperar a visão da filha.


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Crítica Cineweb

26/04/2019

Drama de época assinado pela diretora austríaca Barbara Albert, Mademoiselle Paradis resgata a figura de Maria Theresia von Paradis (Maria Dragus, de A Fita Branca), jovem musicista cega que causou assombro na Viena de 1777.
 
Perdendo a visão na infância, a menina mostra uma habilidade impressionante, fazendo-a merecer uma pensão da imperatriz Maria Theresa e tornando-se figura frequente nos salões da aristocracia local. Apesar disso, a jovem, de 18 anos, é também tratada como uma espécie de aberração, levando uma vida de isolamento e solidão. Ricos e influentes, os pais (Lukas Miko e Katja Kolm), que muito investiram em sua educação, também parecem enxergar na filha deficiente não muito mais do que uma atração para espetáculos.
 
Neste contexto, a notícia de que um famoso médico, Franz Anton Mesmer (Devid Striesow), está tendo relativo sucesso com tratamentos alternativos vem perturbar a rotina de Theresia.
 
Ansiosos, os pais o procuram e não resistem muito a entregar-lhe a filha, que passa a ocupar um quarto numa grande mansão que hospeda seus outros pacientes. É uma mudança drástica para uma garota que, até então, só convivia praticamente com sua família e um círculo social restrito. Neste novo ambiente, ela terá a companhia de Agnes (Maresi Riegner), a camareira que se ocupa de seu serviço pessoal, para quem o guarda-roupa sofisticado de Theresia é fator de fascinação.
 
A relação entre Theresia e Agnes pôe em foco a diferença de classes, mas o filme não coloca muita ênfase neste aspecto - embora proporcione alguns bons momentos a Maresi Riegner, atriz que brilhou no drama Egon Schiele - Morte e Donzela, no papel de Gerti, irmã do protagonista. A diferença da vida destes pacientes abonados e do pessoal da cozinha aparece em alguns momentos, mas a preocupação maior do roteiro, assinado por Kathrin Resetarits, a partir da biografia de Alisa Walser, está em outro lugar. Deposita-se muito mais no jogo social da Viena do século 18, em que o médico Mesmer sonha com projeção a partir da aparente cura da paciente que frequenta a alta roda.
 
Passar a enxergar, independente da qualidade desta visão, muda drasticamente a realidade da moça. É quase como nascer de novo, passando a descobrir fisionomias, cores, formas e objetos, além de uma nova forma de liberdade. Poder movimentar-se com menor dependência de outras pessoas dá a Theresia um desejo de autonomia a que ela nunca pode aspirar.
 
O progresso pessoal, no entanto, não é acompanhado no aspecto profissional. Theresia, afinal, aprendeu a tocar de memória, sem ver, e sua nova condição coloca em xeque seu próprio talento. Ao colocar em primeiro plano este dilema, bem como a discussão sobre os limites do tratamento de Mesmer, Mademoiselle Paradis envereda por caminhos instigantes que, no entanto, a direção um tanto rígida não consegue explorar com toda a intensidade. 

Neusa Barbosa


Trailer


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