Amanda

Ficha técnica


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País


Sinopse

David é jovem, e leva uma vida desregrada, sempre sozinho e sonhando muito. Até que conhece sua nova vizinha, por quem se apaixona, mas tudo se complica quando sua irmã morre, e ele é obrigado a assumir a guarda da sobrinha de 7 anos, Amanda.


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Crítica Cineweb

24/04/2019

Amanda (Isaure Multrier) tem 7 anos e uma vida tranquila ao lado da mãe, a professora de inglês Sandrine (Ophélia Kolb), com eventuais visitas do tio, David (Vincent Lacoste). Ele, por sua vez, é uma espécie de jovem playboy, no alto de seus vinte e poucos anos, com a vida que sempre quis, trabalhando com podas de árvores para a prefeitura de Paris e recebendo turistas estrangeiros, levando-os para apartamentos onde se hospedarão.
 
Tudo sai dos eixos, no entanto, quando Sandrine é assassinada num ataque terrorista num parque onde faria um piquenique com o irmão, o novo interesse romântico, Léna (Stacy Martin), que acaba ferida, mas sobrevive, e alguns amigos. Quando David chega ao local, o cenário é de desolação, pessoas vivas e mortas estiradas na grama, e sangue por todos os lados. É aí que o filme escrito pelo diretor, Mikhaël Hers, e Maud Ameline realmente começa.
 
Além de lidar com seu luto, David precisa cuidar de sua sobrinha, que praticamente não fala sobre a morte da mãe, e está cada vez mais triste. A única pessoa com quem podem contar é uma tia, Maud (Marianne Basler), já que seu pai morreu há alguns anos, e a mãe (Greta Scacchi) mora na Inglaterra, desde que abandou a família há 20 anos.
 
Em Amanda, Hers investiga a situação de vítimas indiretas de um ataque terrorista, aqueles que sofrem as consequências da perda. O ponto de partida parece inspirado nos acontecimentos de 2015, mas o cineasta cria um evento fictício, pois a centralidade não está nisso, mas numa espécie de luto coletivo que David e Amanda encontram na cidade de Paris, que se transforma após a tragédia.
 
O tema de um ente sendo obrigado a se tornar responsável por uma criança órfã não é nada novo no cinema, e, de cara, já se sabe que o processo de amadurecimento será de ambos, mas Amanda lida com isso de uma forma sutil, pois o filme foge de artifícios e resoluções hollywoodianamente simplistas. Os pequenos dramas de David e da sobrinha constroem a narrativa: quando jogar fora a escova de dentes e a maquiagem de Sandrine?
 
Por outro lado, o diretor poderia ser um pouco mais ambicioso em alguns momentos que acabam ingênuos demais – especialmente numa cena em que  os protagonistas estão num parque e veem um casal francês assediando uma muçulmana que usa o hijab. Amanda pergunta ao tio o que está acontecendo e David fala sobre o fato de que ele e ela não acreditam em religião e que o inferno é uma bobagem. O assunto morre aí e a cena acaba sem qualquer menção a questões mais complexas, como preconceito.
 
De qualquer forma, as performances inspiradas de Lacoste e da estreante Multrier se destacam em meio às escolhas estéticas estereotipadas do diretor, colocando Paris em tons pastel, repleta de gente jovem e descolada, que anda de bicicleta em ruas ensolaradas e se apaixona facilmente. 

Alysson Oliveira


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