Tudo o que tivemos

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Sinopse

A lucidez de Ruth está cada vez mais comprometida por conta do Alzheimer. Seu filho quer colocá-la numa clínica, mas seu marido é resistente a isso. Sua filha, Bridget, volta para a casa para ajudar na decisão difícil.


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Crítica Cineweb

22/04/2019

O pequeno cânon de “Representação do Alzheimer no cinema” – que já conta com Longe dela e Para sempre Alice – ganha um novo representante com o drama Tudo o que tivemos, escrito e dirigido pela dramaturga Elizabeth Chomko, que faz uma estreia sólida como diretora de cinema com esse filme. Ao centro, está uma família que precisa enfrentar essa doença misteriosa.
 
O longa começa com Ruth (Blythe Danner), portadora de Alzheimer, que sai de casa no meio da noite sem que seu marido, Burt (Robert Forster), perceba. Quando ele acorda, liga para o filho, Nick (Michael Shannon), que mora na mesma cidade que os pais, Chicago. Este entra em contato com a irmã, Bridget (Hilary Swank), que volta da Califórnia para ajudar a lidar com o problema, trazendo sua filha universitária, Emma (Taissa Farmiga).
 
Ruth logo é encontrada, levada para o hospital, onde faz alguns exames, mas seu desaparecimento é o estopim para uma crise que a família até agora evitou encarar de frente: como lidar com pais idosos e com a saúde vulnerável. Burt não tem mais a mesma força e vivacidade para cuidar de sua mulher e, para o filho, a melhor saída é colocar a mãe numa clínica especializada.
 
O pai, no entanto, se nega a aceitar essa saída. Sua opinião contrária é ainda mais validada pelas histórias que ouviu da esposa durante sua longa carreira trabalhando em clínicas como essa. Nick espera que Bridget, menos impulsiva e briguenta do que ele, consiga convencer o pai. Mas ela também tem seus próprios problemas, com um casamento em crise e a filha que não se adaptou à universidade.
 
A trama se passa durante os dias de Natal, mas isso não é uma questão central. A data também não serve de desculpa, nem catalizador, para resoluções simplórias dos problemas. Tudo o que tivemos poderia facilmente cair em esquematismos ou lágrimas, mas Chomko é uma roteirista e diretora sagaz, buscando o que há de mais humano nessas pessoas. A questão é que o problema que enfrentam demanda uma saída inevitavelmente dolorosa para todos – independente do que decidam.
 
Ajuda muito o fato de ter um elenco primoroso aqui. Há muito tempo, Swank não tinha um papel tão denso, que lhe desse tantas chances de mostrar suas nuances como atriz. Shannon, um dos grandes atores da atualidade, também está ótimo, assim como Farmiga, mas é inegável que o filme é de Danner e Forster. A maneira como ela trata sua personagem é tocante, porque há momentos de um humor (involuntário) pelos seus esquecimentos e confusões, mas são seus lampejos de lucidez que mais comovem. E ele, que nos últimos tempos, se especializou em tipos durões, aqui está o oposto, como um marido amoroso e preocupado. 

Alysson Oliveira


Trailer


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