Varda por Agnès

Ficha técnica

  • Nome: Varda por Agnès
  • Nome Original: Varda by Agnès2
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: França
  • Ano de produção: 2019
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 115 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Agnès Varda
  • Elenco: Agnès Varda

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Sinopse

Último filme da cineasta belgo-francesa Agnès Varda resgata suas lições de cinema e de vida a partir de suas palestras, nas quais discutia seus métodos de trabalho, mostrando trechos de filmes. Além disso, registra conversas com seus parceiros, como a atriz Sandrine Bonnaire e o fotógrafo JR.


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Crítica Cineweb

16/04/2019

Último filme da genial realizadora belgo-francesa Agnès Varda, falecida em março de 2019, Varda por Agnès realiza a vocação de filme-testamento e, o que é melhor, sem a pompa e circunstância que em geral cercam esse gênero de obra. Nada mais natural nesse despojamento em se tratando do trabalho derradeiro desta mulher encantadora, inquieta e criativa, constituindo uma aula magna que mais parece uma visita à casa de uma grande e calorosa amiga íntima.
 
Do alto de seus 90 anos, vividos com intensidade e entrega, a diretora, roteirista, produtora e montadora como que nos coloca sentados ao lado dela para falar com fluência e nenhuma pose da “cinescritura”, seu método de trabalho, que se apoia em três pilares: inspiração, criação e compartilhamento. Ela encontra um equilíbrio sutil ao escavar a paixão por baixo dessa simplicidade, que no seu caso nunca foi sinônimo nem de obviedade ou de lugar comum.
 
Autora de um cinema intensamente feminino, a miúda Varda foi se infiltrando na arte, explorando os caminhos da Nouvelle Vague avant la lettre no filme de estreia, La Pointe Courte (1955). Aos 26 anos, ela tinha apenas experiência como fotógrafa e nunca estudara cinema, o que não a impediu de lançar-se a um filme com narração dupla (do casal protagonista), intercalando-a com o cenário de sua história, a localidade litorânea de Sète. Contou ali com a montagem de Alain Resnais, um dos integrantes do renomado Clube do Bolinha da Nouvelle Vague, formado por François Truffaut, Jean-Luc Godard, Claude Chabrol, Jacques Rivette, Éric Rohmer, ao qual a pequena Agnès demorou a ser incorporada pelos críticos como pioneira.
 
A sobreposição de cenário natural e trajetória fictícia de personagem foi expandida no drama Cléo das 5 às 7 (1962), seu primeiro filme a concorrer à Palma de Ouro em Cannes, em que a diretora acompanha os dilemas de uma atriz (Corinne Marchand) que espera o resultado de seus exames de saúde, que podem indicar câncer.
 
Mas nenhuma sobreposição entre a própria vida e a arte cinematográfica supera, talvez, sua ousada realização em Jacquot de Nantes (1991), em que ela dramatiza a infância do marido, Jacques Demy, que na época entrava em seus últimos meses de vida. Tudo isso com uma economia de estilo que nunca subtrai intensidade à emoção nem admite qualquer sintoma de pieguice.
 
Dentro deste mergulho em memórias de sua obra, há alguns momentos divertidos, como sua conversa com Sandrine Bonnaire, atriz que protagonizou seu drama Os Renegados, que valeu à diretora o prêmio máximo em Veneza, o Leão de Ouro em 1985 - uma distinção que o Festival de Cannes nunca lhe atribuiu. Sandrine recorda seu esforço físico para entrar na personagem do filme, uma jovem sem-teto, o que lhe valeu bolhas nas mãos - o que não lhe trouxe qualquer reconhecimento especial da diretora, que no filme ironiza o fato.
 
Da mesma forma, é engraçado acompanhar os bastidores de uma cena de As Cento e Uma Noites (1995), filme de encomenda sobre o centenário do cinema, da qual participam Catherine Deneuve e Robert De Niro - que são vistos chacoalhando, com grande paciência, num pequeno barquinho num lago, numa sequência várias vezes repetida.  O filme, apesar de recheado de astros, no entanto, foi um fracasso de bilheteria, o que Agnès vê com ironia.
Da mesma forma, a cineasta pontua sobre a forma de realização de três documentários primorosos, que ela realizou depois dos 72 anos: Os Catadores e Eu, As praias de Agnès e Visages, Villages (em que ela dividiu a direção com o fotógrafo JR).

Varda por Agnès é o tipo do filme para quem se interessa por cinema e, particularmente, pela forma de realização da cineasta, um dos maiores nomes do cinema francês e que deixa um legado para ser revisitado sempre - num talento que se traduziu também em inúmeras fotografias e instalações, como se vê neste documentário. 

Neusa Barbosa


Trailer


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