O ano de 1985

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País


Sinopse

Após três anos de distância, Adrian Lsster volta de Nova York para a casa dos pais, no Texas, para um feriado. Entre ele e os pais pesa uma sensação estranha, fruto de verdades nunca assumidas entre eles, como a homossexualidade do filho - agora doente de AIDS.


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Crítica Cineweb

15/04/2019

Dirigido pelo malaio radicado em Dallas, Yen Tan, O ano de 1985 tem a delicadeza de um álbum de retratos sendo folheado página a página, trazendo à tona uma filigrana de emoções sublimadas.
 
Fiel a este espírito, mostra-se um acerto a escolha do super-16 em preto-e-branco na fotografia para retratar a história de Adrian Lester (Cory Michael Smith), numa angustiante volta para a casa dos pais, no Texas, no ano de 1985. Há três anos ele vive em Nova York, para onde se mudou para fugir ao sufocamento da cidadezinha conservadora, dominada pelo fanatismo de um pastor, que, entre outras coisas, promove uma guerra sem tréguas contra a “música secular”, o que inclui toda e qualquer canção pop.
 
Há uma tensão no ar, sensível mas nunca declarada, neste relacionamento de Adrian com o pai, Dale (Michael Chiklis), a partir do primeiro instante em que o filho chega ao aeroporto e coloca sua mala no carro. O tempo todo a narrativa é modulada por uma aparente vontade de dizer alguma coisa que nunca se sabe como dizer - este é o tormento de Adrian, que vive em Nova York, junto com outros dois amigos gays.
 
A homossexualidade de Adrian é sempre uma nota no ar, que nunca se assume, mas é inescondível - será que também para os pais? Adrian não fala abertamente sobre o assunto. Nem o pai, nem a mãe, Eileen (a ótima Virginia Madsen), se dão por achados na questão. A mãe, por exemplo, insiste em saber se o filho mais velho tem namorada e sugere que ele volte a procurar sua ex, Carly (Jamie Chung). Mas certamente não é isso o que ele veio fazer. Sua volta, para um feriado, tem mais o sabor de uma despedida, em tempos em que a AIDS está fazendo milhares de vítimas fatais, já que a medicação disponível não assegura a sobrevivência dos afetados.
 
Com roteiro assinado pelo diretor e por Hutch, fotógrafo e montador, o filme se desenvolve como um sutil estudo de relações familiares e sentimentais, explorando vertentes de uma masculinidade sufocada por diversos medos. Neste sentido, funcionam lindamente cenas entre Adrian e o irmão caçula, Andrew (Aidan Langford), que começa a herdar as pressões paternas por ter trocado o futebol pelo grupo de teatro.
 

Equilibrando-se entre tudo o que se quer dizer e o que não se diz, O ano de 1985 é um complexo e eficiente retrato de época, não tão distante, que sinaliza algumas questões que não se esgotaram naqueles dias. Como a impossibilidade de ser sincero tendo de dar conta de tantas convenções para ser fiel a modelos de família, moral e religião que não têm a menor conexão com a realidade, sufocando o afeto e a honestidade que deveriam determiná-los. 

Neusa Barbosa


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