O Apanhador de Sonhos

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País


Extras

Entrevista com Stephen King
Efeitos visuais
Cenas eliminadas
Final alternativo
Trailer de cinema
Formato de tela: Widescreen


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

17/04/2003

Ausente das telas desde 1999, quando realizou Dr. Mumford - Inocência ou Culpa? (lançado diretamente em vídeo no Brasil), o diretor e roteirista Lawrence Kasdan mergulha pela primeira vez no universo sombrio de Stephen King. Como convém num território desconhecido, chamou um guia experimentado, o premiado roteirista William Goldman, que já adaptara antes dois livros de King, em Louca Obsessão e Lembranças de um Verão. Apesar de promissora, a parceria revela-se desastrosa. O resultado em O Apanhador de Sonhos é um filme esquizofrênico, dividido ao meio contra si mesmo, numa mistura que explode entre o suspense descosturado e o terror trash mais explícito.

A primeira metade da história desperta as melhores expectativas, prometendo um thriller numa linha sutil. Delineia-se aí como quatro amigos de infância desempenham suas diferentes profissões tendo em comum o dom da telepatia, que não garante uma boa vida amorosa para nenhum deles. A faculdade de ler mentes lhes foi concedida ainda na infância, por um garoto indefeso, Duddits, salvo por eles de uma turba de espancadores. Por trás dessa aparência inofensiva, o menino, que fala errado e parece ter problemas mentais, esconde uma outra natureza.

Acontece um acidente terrível, envolvendo um dos quatro amigos, o professor Gary Jones (Damian Lewis). Escapando por milagre, Jones comemora reencontrando seu grupo numa cabana afastada na floresta coberta de neve, primeiro clichê do manual de sustos de Stephen King. A perspectiva piora quando surgem helicópteros na região, informando que ela está sob quarentena. Ninguém pode entrar ou sair dali mas não se informa aos visitantes o tipo de perigo que os está rondando.

O isolamento na montanha gelada parece ter afetado, também, a telepatia que guiava o quarteto com tanta precisão. Tanto que nem Jones nem o carpinteiro Jim Beaver (Jason Lee) desconfiam de nada quando aparece em sua porta um homem obeso, manchas vermelhas pelo corpo, ventre anormalmente inchado e emitindo sinais de uma monstruosa indigestão. Não muito longe dali, os outros dois membros da turma, o vendedor Pete (Timothy Olyphant) e o psicólogo Henry (Thomas Jane), igualmente não têm um único pressentimento que os proteja do que está por vir, uma trama rocambolesca, que envolve uma invasão alienígena. O pior de tudo é que as criaturas entram e saem dos corpos humanos pelos modos mais improváveis e sanguinolentos.

Nesta segunda parte, em que a conspiração se desenrola, o filme se transforma em outro inteiramente diferente. O que se prenunciava como um suspense medianamente adulto transforma-se num terror adolescente. Há mortes, decepamento de dedos, vermes dentuços como piranhas, num crescendo, este sim apavorante, de falta de imaginação. Não é a primeira vez que isso acontece num trabalho baseado em Stephen King, cujos livros oscilam em altos e baixos com uma frequência alarmante. O mesmo não se podia dizer até aqui de Lawrence Kasdan. O que terá acontecido a Kasdan, para criar algo tão ruim? Mais do que seus personagens, é ele quem parece ter tido sua mente invadida por um alienígena, que roubou toda a sua capacidade anterior de compor ao menos um filme razoável, que não envergonhasse uma biografia recheada de trabalhos competentes, como o suspense Corpos Ardentes (1981), o drama Turista Acidental (1988) e a comédia romântica Surpresas do Coração (1995). Embora em menor grau, também sofre abalos em sua credibilidade o ator Morgan Freeman. Assíduo freqüentador de boas produções e dono de um carisma que costuma sobreviver às suas más escolhas de papéis - caso de Tempestade e Impacto Profundo - aqui ele não passa da caricatura ao encarnar um certo coronel Abraham Curtis. Responsável pelo comando da operação de caça aos alienígenas, Freeman não sai do registro do militar furioso, quase hidrófobo, o que, convenhamos, é muito pouco para quem já atuou em Conduzindo Miss Daisy ou Um Sonho de Liberdade.

Cineweb-18/4/2003

Neusa Barbosa


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