O gênio e o louco

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Sinopse

Enquanto se dedica à imensa tarefa de coordenar as pesquisas para elaborar o dicionário Oxford da língua inglesa, no século 19, o professor James Murray recebe imensa colaboração à distância de William Minor - que ele nem imagina que seja um médico condenado por assassinato, internado num manicômio judiciário.


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Crítica Cineweb

10/04/2019

Dirigido pelo iraniano Farhad Safinia (corroteirista de Apocalypto), este drama de época marca o encontro de dois astros que, de vez em quando, tem testado os limites - e nem sempre no bom sentido.
 
Mel Gibson, astro vencedor de dois Oscar, teve problemas pessoais com ditos antissemitas e violência doméstica., sendo resgatado do ostracismo por Jodie Foster, que o dirigiu no drama Um novo despertar (2011). Briguento na vida real, o também vitorioso de dois Oscar Sean Penn enfrentou o fiasco recente do drama The Last Face (2016), que ele dirigiu e nem a dupla Charlize Theron e Javier Bardem conseguiu salvar.
 
Baseado em fatos reais, O gênio e o louco parece o tipo de filme capaz de recuperar não só a memória de que estamos diante de dois grandes e qualificados atores, numa história edificante e que nem vai extrair o máximo deles. O tema, que interessa mais ao mundo de fala anglo-saxã, é a criação do monumental dicionário Oxford, no século 19.
 
À frente do ambicioso projeto, que visava reunir todas as palavras importantes do idioma inglês, está o professor James Murray (Mel Gibson). Uma sumidade, dominando inúmeras línguas, ele enfrenta a princípio a desconfiança dos acadêmicos da universidade de Oxford por ser um autodidata. Superado este primeiro obstáculo, ele se lança à tarefa insana, montando um escritório nas dependências de sua casa, com um pequeno número de assistentes. Sua mulher, Ada (Jennifer Ehle), fica sempre na retaguarda, cuidando dos numerosos filhos do casal.
 
Na época, foi lançada uma campanha pública para que os cidadãos ingleses sugerissem as palavras que não poderiam faltar no livro que seria, dali em diante, a referência máxima. O mais assíduo contribuinte, com milhares de verbetes devidamente pesquisados, é um médico e militar, o dr. William Minor (Sean Penn) - que o professor Murray a princípio não imagina que seja um assassino condenado, internado no manicômio judiciário de Broadmoor.
 
Somente um ator da qualidade de Penn poderia dar a dimensão humana de um personagem assim controverso. Através de seu trabalho, é impossível não contemplar a tragédia humana de um homem atormentado pela esquizofrenia que, num acesso, matou um pobre pai de vários filhos pequenos, deixando a viúva Eliza (Natalie Dormer) numa situação precaríssima.
 
Ao desenvolver a história de Eliza, o roteiro, assinado por John Boorman, Todd Komanicki e o diretor Safinia, a partir do livro de Simon Winchester, abre-se outra vertente para a humanização do dr. Minor. Atormentado pela culpa, ele procura ajudar Eliza, que a princípio rejeita toda e qualquer aproximação com o assassino.
 
Estas nuances humanas tornam menos áridas as intrigas em torno da confecção do dicionário que, afinal, não seria finalizado pelo professor Murray. Gibson também empresta uma sólida dignidade ao professor, que igualmente se relacionou com Minor. Além disso, lutou pela melhoria de sua condição de vida, numa época em que a psiquiatria recorria a métodos e experiências de uma violência que hoje nos parece inacreditável.  

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 18/04/2019 - 20h58 - Por Fernando Monteiro Mostra o filme que as palavras vão através do tempo sofrendo alterações semânticas, bem como esquecidas, tornadas antiquadas. Surgem, outrossim termos novos, neologismos, influência de outras línguas.O filme demonstra esforço em vão em construir dicionário que diferencia-se dos demais porque aproveita apenas aos linguistas e envaidece os idealizadores. Salva-se o aspecto humanitário e piedoso, o drama da fome, do perdão , e por aí vai.


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