Amor até às cinzas

Ficha técnica

  • Nome: Amor até às cinzas
  • Nome Original: Ash is purest white
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Japão
  • Ano de produção: 2018
  • Gênero: Drama
  • Duração: 137 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Jia Zhang Ke
  • Elenco: Zhao Tao, Feng Xiaogang

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País


Sinopse

Qiao é uma jovem cheia de ilusões que atravessa 18 anos de sua vida, passando de namorada mimada de um gângster a uma empreendedora independente e feroz, comandando seu próprio negócio no mundo do jogo.


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Crítica Cineweb

10/04/2019

O diretor chinês Jia Zhang-ke faz um giro reflexivo, mais uma vez em torno de seu grande país, revisitando tanto seu filme anterior, As Montanhas se Separam (2015), quanto outros mais antigos, como Em Busca da Vida (2006) – neste caso, até porque revisita o emblemático cenário da barragem das Três Gargantas. O cineasta chinês não está buscando um choque de referências e sim uma análise sobre o processo histórico da China, focalizando mais uma vez a ocidentalização e a virada capitalista dos anos 2000.
 
À medida que entra na maturidade (tem 48 anos), o diretor torna-se cada vez mais cético, centrando sua história em torno da admirável Zhao Tao, sua mulher e atriz-fetiche. Sua personagem compõe um denso arco ao longo dos cerca de 18 anos que atravessa, passando de namorada mimada de um chefete gângster (Liao Fan) a uma mulher endurecida, comandando seu próprio negócio no mundo do jogo.
 
O rosto de Zhao Tao é uma espécie de mapa emocional de Amor até às Cinzas, alternando as notas emocionais que a percorrem, do amor à decepção, do conformismo à raiva, incorporando também momentos de humor e doçura. Este rosto atravessa também muitas paisagens da China, nas quais Zhang-ke edifica sua reflexão sobre o que se tornou, afinal, este país que impressiona o mundo todo e permanece uma espécie de continente à parte – não isolado, no entanto, do Ocidente, como o filme mostra de várias maneiras, incluindo as impagáveis passagens musicais pop, que vibram de maneira peculiar, satírica e também pungente.
 
Como em As Montanhas se Separam, há uma história de amor fraturada no centro da narrativa, carregada de amargura e realismo. As sequências de violência, como lutas de gangues, são de um realismo impecável, dignas de um filme policial – uma qualidade que Zhang-ke veio aperfeiçoando ao longo dos anos. Mas, acima de tudo, o filme mais parece um espelho oriental colocado diante do Ocidente, que exporta suas modas, estilos musicais e o onipresente capitalismo.

Neusa Barbosa


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