Border

Ficha técnica


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País


Sinopse

Agente de fronteira na Suécia, Tina tem uma excepcional capacidade olfativa, que lhe permite flagrar pessoas com medo, levando contrabando. Um dia, ela conhece Vore, extremamente parecido com ela, mas dotado de um caráter mais misterioso e sinistro.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

03/04/2019

Da mesma oficina sinistra que criou a história original do suspense Deixa ela entrar (2008), ou seja, a imaginação do escritor sueco John Ajvide Lindqvist, sai uma nova fábula sombria, agora sustentando Border, de Ali Abbasi, vencedor do prêmio de melhor direção da mostra Un Certain Regard em Cannes 2018.
 
Novamente, cria-se uma atmosfera surreal, em torno de Tina (Eva Molander), agente de fiscalização da fronteira sueca num ponto remoto do país.Baixinha, atarracada, uma certa delicadeza e fragilidade que contrastam com traços faciais um tanto brutos, a moça tem uma habilidade especial nas narinas: é capaz de identificar rapidamente o cheiro do medo nas pessoas que atravessam, flagrando diversos viajantes que levam drogas ou contrabando.
 
Fora do trabalho, ela leva uma vida solitária, morando numa casa escondida nas montanhas. Tem um companheiro, Roland (Jörgen Thorsson), mas este se interessa bem mais pelos seus cachorros, que leva para competições, do que por Tina.O pai dela (Sten Ljunggren), idoso e senil, vive internado numa instituição.
 
As características animalescas de Tina parecem acordar quando ela se encontra nos arredores de sua casa. Ela demonstra uma conexão especial com os bichos, como uma raposa, ou um grande alce. Parece ouvir cada som da floresta e encontrar um habitat natural quando está ali, no meio do bosque, ou dentro da água gelada de um grande lago nas redondezas. No mais, quando circula pela cidadezinha, parece tímida. Sabe que seu rosto não agrada às pessoas.
 
Um dia, passa por seu posto na fronteira Vore (Eero Milonoff, ator finlandês de Um dia na vida de Olli Maki). Ele tem traços bem parecidos com os de Tina, fronte proeminente, manchas na pele, pelos no corpo e também uma capacidade olfativa especial. Rapidamente, os dois percebem uma estranha identificação. São membros de uma mesma espécie, que não parece ser a humana.
 
Este encontro entre Tina e Vore permite que o filme entre finalmente no tema que lhe interessa, enveredando por um clima onírico e não raro sinistro, tornado possível pelo excepcional trabalho de maquiagem/cabelos desta equipe, com justiça indicada ao Oscar 2019 da categoria, bem como pelos times de efeitos especiais, sonoros, fotografia (de Nasim Carlsen) e desenho de produção (Frida Hoas). Por conta disso, será vista aqui uma das mais bizarras cenas de sexo já mostradas pelo cinema, integrando uma fábula que remete à mitologia nórdica mas não deixa de ecoar metáforas políticas e sociais.
 
Quem, no entanto, somente se sentir confortável em embarcar no suspense fantástico, fique à vontade, porque terá muito com que se deleitar por aqui. A estranheza da história conduzida pelo iraniano, radicado na Dinamarca, Ali Abbasi, em seu segundo filme, certamente tem potencial inquietante para perdurar na memória e nas retinas por longo tempo após a projeção.

Neusa Barbosa


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