De pernas pro ar 3

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Sinopse

Alice enfrenta um grande dilema: como ser uma empresária de sucesso sem abandonar a família. Ela acaba tendo de delegar os negócios para sua mãe, mas nem por isso para de pensar no futuro de sua empresa de artigos eróticos. Tudo piora quando uma jovem concorrente começa a namorar seu filho.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

03/04/2019

É um alívio que em De pernas pro ar 3, sua protagonista, Alice Segreto, interpretada por Ingrid Guimarães, não passe 90 minutos se lamentando por não ter um homem para chamar de seu. O filme, dirigido por Julia Rezende, está muito mais em sintonia com os dilemas e aflições da mulher contemporânea do que a maioria das comédias românticas nacionais nas quais as protagonistas são reduzidas a uma histeria pela falta de um namorado – vide o recente Minha vida em Marte.
 
Alice está no auge de sua vida profissional – abrindo filiais de sua empresa de artigos eróticos em diversos cantos do mundo – mas seu marido, João (Bruno Garcia), e seus filhos, o adolescente Paulinho (Eduardo Melo) e a pequena Clarinha (a carismática Duda Batista), sentem falta dela e a pressionam para ficar mais em casa. Combinando comédia e sentimento, o longa coloca sua protagonista num dilema: como estar presente e cuidar ao mesmo tempo da empresa. Ela é uma workaholic e, mais uma vez com sagacidade, o filme não a demoniza por isso.
 
Tentando resgatar a família de quem se distanciou, Alice delega a empresa à mãe (Denise Weinberg) e tenta reassumir sua posição em casa. É quando a protagonista percebe que nem tudo é tão controlável com a lógica do empreendedorismo. As relações humanas – e nesse caso entram as suas familiares – não se encaixam num padrão e dependem da maleabilidade dos envolvidos. Desses embates, o filme tira seus melhores momentos de humor. Guimarães, como já ficou provado em filmes e televisivos, é uma grande atriz de comédia, e aqui sua personagem encontra a sutileza que faltava nos longas anteriores da série.
 
Rezende assume a direção desse terceiro filme, no lugar de Roberto Santucci, responsável pelos dois primeiros, e o ganho é inquestionável. Não apenas pela maneira como a personagem feminina é tratada aqui, mas também como a comédia é explorada. A diretora consegue estabelecer um ritmo melhor à narrativa, além de ser mais cuidadosa na composição das imagens e personagens.
 
O mais interessante, no entanto, é a maneira como De pernas pro ar 3 lida com o feminismo como uma questão realmente relevante e necessária. Quando entra em cena a jovem Leona (Samya Pascotto), criadora de um par de óculos 3D que simula sexo virtual, Alice, a quem a garota clama que lhe serviu de inspiração, fica enciumada, e, para piorar, a jovem começa a namorar Paulinho. Essa é uma chance para o filme abordar como mulheres de duas gerações diferentes lidam com a sororidade. E a graça está em perceber que, mais do que passar o bastão para as mais jovens, juntas as várias gerações são capazes de conquistar mais. 

Alysson Oliveira


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