Três faces

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País


Sinopse

Behnaz Jafari é uma famosa atriz de TV no Irã. Um dia, recebe pelo celular o vídeo de uma garota, Marzieh, que retrata o seu suposto suicídio, porque a família não a deixava estudar, depois de ter tentado, sem sucesso, um contato com Behnaz. Esta, em companhia do amigo e diretor Jafar Panahi, viaja à aldeia da menina, em busca de esclarecer o fato.


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Crítica Cineweb

27/03/2019

Apesar das restrições judiciais – desde 2010, ele está proibido de viajar para o exterior e, teoricamente, de filmar -, o cineasta iraniano Jafar Panahi continua criando e compôs um filme apaixonante em Três Faces, vencedor do prêmio de roteiro no Festival de Cannes 2018.
 
No caso, as faces do título são femininas – o cinema de Panahi mostra-se, mais uma vez, intensamente interessado nas mulheres. E suas explorações em torno da própria linguagem cinematográfica revelam-se como sempre muito instigantes.O diretor é um mestre em enredar narrativas que tecem círculos em torno de si mesmas, captando a essência de assuntos candentes com uma enganosa simplicidade.
 
As três mulheres – todas usando seus próprios nomes - são uma famosa atriz de TV, Behnaz Jafari, que recebe um vídeo pela internet, retratando o suposto suicídio de uma garota, Marziyeh Rezae, que se queixa de tê-la procurado desesperadamente, sem obter resposta. Marziyeh, segundo conta, queria a intercessão de Behnaz para que sua família lhe permitisse estudar fora de sua aldeia, ela que sonha em tornar-se atriz, mais do que tudo. Começa aí a interrogação da própria história, sobre os limites entre realidade e encenação, que são tão caros ao cinema iraniano em particular - aqui lembrando-se de Abbas Kiarostami, de quem Panahi foi assistente - e à arte cinematográfica como um todo.
 
Como em suas obras mais recentes (Isto não é um filme, Táxi em Teerã), depois da perseguição política, o próprio Jafar Panahi aparece como personagem, ajudando a amiga Behnaz a investigar se é verdadeira ou falsa a história de Marzieyeh e seu vídeo. Esta viagem permite a Panahi retratar um pouco o interior mais profundo de uma zona rural na fronteira com a Turquia e o Azerbaijão, que expõe as contradições de uma cultura primitiva e machista e esconde ali o terceiro rosto da história – o de Sharzad, uma atriz de outros tempos, malvista na comunidade, considerada um “mau exemplo” para meninas que buscam maior independência e de quem não veremos, propriamente, o rosto. Uma invisibilidade relativa que adiciona uma outra metáfora numa história que remete a muitas outras.

É neste jogo do que conta e do que esconde, do que sugere e do que nega em seguida, do que segue e deixa de lado, que a narrativa constrói sua sedução. Com roteiro assinado pelo próprio Jafar e Nader Saeivar, Três Faces reproduz, em escala minimalista, o encanto de Sherazade compactado não em 1001 noites, mas numa enxuta e densa 1 hora e 40 minutos.

Neusa Barbosa


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