O tradutor

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Sinopse

Nos anos 1980, a rotina de um professor cubano de literatura russa, Malin, é drasticamente alterada quando ele e seus colegas da universidade são requisitados para funcionar como intérpretes das famílias de pacientes russos, que sofrem os terríveis efeitos do acidente atômico de Chernobyl - na maioria, crianças.


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Crítica Cineweb

27/03/2019

Rodrigo Santoro entra de corpo e alma no drama cubano-canadense O Tradutor, obra de estreia dos diretores Rodrigo e Sebastián Barriuso, exibida nos festivais de Sundance e Xangai. Revezando-se no russo e no espanhol, o ator brasileiro interpreta Malin, um professor cubano de língua e literatura russa, que leciona na universidade de Havana.
 
Casado com a artista e galerista Isona (Yoandra Suárez) e pai do garoto Javi (Jorge Carlos Perez Herrera), Malin leva uma vida confortável até que sua rotina sofre uma virada. É 1989, três anos depois do acidente de Chernobyl, quando começam a chegar a Cuba as vítimas da radiação, boa parte delas crianças, para tratamento médico. Malin e seus colegas da universidade são requisitados para trabalhar como tradutores nos hospitais que atendem os doentes, fazendo a ponte entre médicos e pacientes.
 
A transição de suas calmas aulas de literatura para o tenso ambiente hospitalar é um choque para o professor. De um momento para outro, sem preparo, ele e seus colegas são jogados numa rotina exasperante, tendo de dar, em geral, más notícias aos pais. A maioria dos pacientes têm leucemia e poucas esperanças de sobrevivência.
 
Nesse contexto, Malin muda seu foco de interesses. Ele que preparava uma tese de doutorado em literatura russa passa a pesquisar terminologia médica. Também se aproxima cada vez mais de alguns pequenos pacientes, caso de Alexi (Nikita Semenov), que aos 12 anos tem que ficar no isolamento devido ao seu precário sistema imunológico.
Homem contido na expressão de suas emoções, Malin está sofrendo uma lenta implosão. Não consegue compartilhar o peso de seu desgaste emocional com a mulher, que se ressente cada vez mais de sua ausência - não só porque trabalham em horários de trabalho opostos, como pelo mutismo dele..
 
As sequências no hospital e a participação da atriz argentina Maricel Álvarez, como a enfermeira Gladys, são o eixo emocional do filme, que ostenta uma certa fragilidade, bem como uma menor sutileza, nas cenas familiares de Malin - talvez pelo envolvimento pessoal dos diretores com a história que estão contando, que é a de seus pais.
 
De todo modo, o filme resgata um episódio real não muito conhecido, relativo ao tratamento de mais de 20.000 pacientes russos no sistema médico de Cuba ao longo de mais de 20 anos. Este atendimento estendeu-se até 2011, bem depois da queda da URSS e do rompimento da relação especial que unia os dois países, com forte impacto econômico e social sobre Cuba.
 
Rodrigo Santoro sustenta particularmente bem a interpretação de um personagem introvertido, vertendo suas emoções com discrição e intensidade, num papel que lhe exigiu esforço extra do ponto de vista da expressão em duas línguas diferentes da sua.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 05/04/2019 - 22h36 - Por Fernando Monteiro Custa a acreditar que Cuba com sua Economia esfacelada pelo bloqueio tenha condições hospitalares para atender milhares de crianças de Chernobyl. E por que essa transferência de um país de alta tecnologia espacial? Parece-me a mim, um descarte escatológico livrando-se de responsabilidade por morte talvez de milhares, acometidos de leucemia e mais que o seja, submetidos a mais radiação nos hospitais "ambulatoriais" de Cuba. No entretanto, o filme foi bom! Senti o drama.
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