Minha obra-prima

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País


Sinopse

O pintor Renzo Nervi e o galerista Arturo Silva são amigos há décadas, mas a relação entre eles anda conturbada porque os quadros do artista já não vendem nada.


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Crítica Cineweb

27/03/2019

A julgar pelos dois filmes mais recentes do argentino Gastón Duprat, ele tem bastante interesse na questão entre artista e material artístico. Em O cidadão ilustre, colocava como protagonista um escritor ganhador do Nobel, que voltava à sua cidade natal e acabava confrontado pelos conhecidos que se tornaram personagens de seus livros. No novo Minha obra-prima, novamente existe um artista se debatendo com seu material, mas o longa vai além disso, ao colocar ao lado do pintor o marchand de suas obras.
 
Renzo (Luis Brandoni) já foi um pintor de sucesso, mas agora seus quadros ficam pendurados na galeria de Arturo (Guillermo Francella), que não consegue vender nenhum. Os dois são amigos há décadas, mas a relação está tensa, porque o pintor é arrogante, desbocado e só faz o que quer. Quando o galerista diz que as obras do outro são um tanto obsoletas, o artista aparece na exposição, dá alguns tiros num quadro e diz: “Pronto, agora são modernas”, e vai embora. Não é bem assim que as coisas funcionam.
 
O pintor vive numa casa velha em Buenos Aires, onde acumula quinquilharias, quadros novos e antigos, animais e uma aluna/namorada (Maria Soldi), nem sempre muito interessada nele. Um dia aparece um jovem hipster espanhol na porta de Renzo, Alex (Raul Arevalo), e diz que quer ser seu discípulo. O artista vê a chance de algum dinheiro e o aceita com aluno, mas a última coisa que faz é ensinar a pintar. Ainda assim, o jovem aprende uma lição moral.
 
O roteiro é assinado por Andres Duprat, irmão do cineasta, e diretor do Museu Nacional de Belas Artes da Argentina, o que o ajudou a trazer um vasto conhecimento sobre o mundo e o submundo das artes muito bem empregados aqui. A tumultuada relação entre artista e negociante, além da flutuação de valores do mercado das artes são elementos no filme que só podem vir de alguém que conhece tudo isso de perto. Uma das personagens mais marcantes é Dudu – interpretada com sagacidade e cinismo por Andrea Frigerio. Quando Arturo oferece a obra completa de Renzo por um milhão de dólares, ela não aceita, ele diminui o valor, e ela rebate: “Eu não disse que não tenho o dinheiro. Eu não tenho interesse na obra dele”.
 
É nesse tom que o filme todo é construído. A narrativa segue os altos e baixos da amizade entre a dupla, com Arturo cada vez suportando Renzo menos ainda, que está cada vez mais fora da realidade. Mas o roteiro reserva algumas surpresas e, se não é de todo tão bem amarrado quando O cidadão ilustre, guarda seus bons momentos e reviravoltas. 

Alysson Oliveira


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