Inezita

Inezita

Ficha técnica

  • Nome: Inezita
  • Nome Original: Inezita
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2017
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 85 min
  • Classificação: 10 anos
  • Direção: Helio Goldsztejn
  • Elenco:

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País


Sinopse

Documentário resgata a trajetória da cantora, instrumentista e pesquisadora paulistana Inezita Barroso (1925-2015), destacando seu papel pioneiro como uma das primeiras mulheres violeiras do País, através de material de arquivo e entrevistas.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

25/03/2019

Ignez Madalena Aranha de Lima nasceu, em 1925, para ser moça comportada. Filha de família abastada em São Paulo, cursou o tradicional colégio Caetano de Campos e estudou piano em conservatório. Mas a moreninha, sapeca, gostava de moda de viola. Sempre que conseguia, passava a mão em uma e tocava, o que até não pegava bem em sua época. Ainda bem que Inezita não desistiu, tornando-se uma violeira, cantora, atriz, professora e pesquisadora que, em 90 anos de vida, deixou um legado que, quatro anos depois de sua morte, ainda está longe de ser devidamente avaliado.
 
Dona de um vozeirão e uma personalidade forte, a moça não era chegada num excesso de delicadezas. Assim, perseguiu seu sonho de ser cantora e instrumentista, o que, curiosamente, ela conseguiu casando-se com o músico nordestino Adolfo Barroso, de quem adotou o sobrenome artístico que ficou pela vida. Foi em Recife, aliás, que ela ganhou seu primeiro cachê profissional como cantora, no Teatro Santa Isabel. Nesse mesmo ano, gravou o primeiro disco comercial, que trazia as faixas Moda da Pinga, que foi um de seus grandes sucessos na vida e, do outro lado, o samba Ronda, do amigo Paulo Vanzolini.
 
Se há um mérito no documentário assinado por Helio Goldsztejn, é resgatar essa veia feminista da cantora, famosa por apresentar, por 35 anos, o programa Viola, Minha Viola, na TV Cultura. Ali, ela exigia que todo mundo tocasse ao vivo, não admitindo playback. Antes disso, ela viajou muito, se apresentando e pesquisando pelo Brasil, com um ímpeto descobridor digno de um Mário de Andrade. Num tempo em que poucas mulheres dirigiam, ela rodava em estradas, à noite, sozinha - mas carregava um revólver, que sabia usar. Não desprezava um uísque, mas sem gelo, para não comprometer a voz. A voz que encantava a todos, como o sorrisão largo, acolhedor.
 
Se a música foi o seu reino, nem por isso ela deixou de se arriscar em outras áreas. Por exemplo, foi atriz de cinema, ela ganhou prêmios Saci e Governador do Estado pelo filme Mulher de Verdade (1955), de Alberto Cavalcanti. Seu carisma se manifestava também diante da câmera, mas sua beleza não-convencional ainda não era reconhecida como tal.
 
Mulher de fibra, foi capaz de se reinventar sempre. Separada do marido,l criou a filha única, Marta, trabalhando. Quando a carreira artística entrou em ocaso, no tempo da Bossa Nova, ela não teve dúvidas - foi lecionar violão e, com a atividade, pagou a faculdade da filha. Madura já, foi fazer cursinho, onde conheceu Wandi Doratiotto, do Premeditando o Breque, um dos entrevistados que conta histórias saborosas sobre a colega.
 
Alternando imagens de arquivo com a própria personagem e entrevistas de seus parentes e amigos, o documentário revela um pedaço de uma biografia muito rica de que o filme, modestamente, não dá conta - não só por sua duração mas por ser um tanto comportado em seu formato. De todo modo, é fiel à natureza de uma mulher e artista apaixonada, inclusive em sua torcida pelo Corinthians - ela tinha até uma máscara de gavião, que usava para brincar com os amigos. Humor e paixão nunca lhe faltaram, além do talento.

Neusa Barbosa


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