Longa jornada noite adentro

Longa jornada noite adentro

Ficha técnica

  • Nome: Longa jornada noite adentro
  • Nome Original: Di qiu zui hou de ye wan
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: França
  • Ano de produção: 2018
  • Gênero: Drama
  • Duração: 140 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção: Bi Gan
  • Elenco: Tang Wei, Sylvia Chang, Huang Jue

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Sinopse

Quando seu pai morre, Lu Hongwu volta à sua terra natal. Depois de acertar as contas com sua madrasta, ele passa a percorrer vestígios de seu passado, tornando-se obcecado pela busca de Kaizhen, uma mulher que amou no passado.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

11/03/2019

Tudo neste segundo longa do jovem cineasta chinês Bi Gan remete à ilusão, à criação de falsas expectativas e sua reversão. A começar pelo enganoso título internacional, que remete à peça de Eugene O’Neill, com a qual o roteiro original de Bi Gan não tem conexão direta. O título original, que pode ser traduzido como Últimos Entardeceres na Terra, na verdade, tira sua inspiração de um conto do escritor chileno Roberto Bolaño - que serviu apenas como ponto de partida para um sistemático processo de desconstrução narrativa, que é o jogo que satisfaz ao diretor e no qual ele procura enredar o espectador.
 
O filme é dividido em duas partes, igualmente desconcertantes. Na primeira, Luo Hongwu (Huang Jue) volta à sua cidade natal, devido à morte de seu pai. Já na viagem, lembranças o assaltam, trazendo de volta a figura de “Gato Selvagem” (Li Hongqi), um amigo morto num incidente envolvendo o crime organizado.
 
Nada é linear neste trajeto, já que a narrativa avança e retrocede no tempo, diluindo as certezas em meio a cenários desolados e sombrios: uma casa onde chove copiosamente, ruas escuras e atulhadas de objetos abandonados, pessoas dúbias e maltratadas. Neste ambiente, segue a busca de Luo, que se atiça em torno de uma mulher (Tang Wei), que pode ou não ser Kaizhen, alguém que ele amou no passado.
 
Nesta trajetória fluida, por vezes inquietante em sua falta de certezas, há uma atmosfera de sonho, uma fluidez que procura traduzir o sentimento que se tem dos fatos vividos, que nunca corresponde exatamente a eles. É da matéria da memória que se refaz ao longo do tempo de uma vida que se alimenta a câmera inquieta, dividida entre Yao Hung-I, Dong Jinsong e David Chizallet, que a montagem de Qin Yanan não alivia, antes, exaspera.
 
A segunda parte do filme, que começa sintomaticamente numa sessão de cinema dentro dele, introduz o 3D, tornando ainda mais frenética esta imersão no passado, tornando-o mais fantástico. Se no começo se faz sentir uma inclinação pelo noir, a partir daqui há uma investida mais enfática na fantasia ou na ficção científica. Insinua-se mesmo um clima à la David Lynch quando Luo se encontra perdido numa casa com muitos quartos, um verdadeiro labirinto, e descobre um garoto de 12 anos (Lee Hong-Chi) que pode ter a chave para que ele possa sair dali - a partir de um jogo de pingue-pongue que Luo deve vencer.
 
Neste jogo cinematográfico empenhado, Bi Gan embaralha referências. Não é difícil enxergar ao longo do caminho vestígios de Hong Kar-Wai, Hou Hsiao-Hsieng e outros. Seu cinema é de estilo, de experimentação, de linguagem. Não tem respostas prontas para os enigmas que propõe, por isso, o espectador que nele embarque deve ser do tipo que desfrute os prazeres da viagem, sem ter a segurança de onde vai chegar.

Neusa Barbosa


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