Suprema

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País


Sinopse

Já casada e mãe de um bebê, Ruth Bader Ginsburg torna-se uma das poucas alunas a entrar no disputado curso de Direito em Harvard. Num tempo em que mulheres ainda lutavam para trabalhar em escritórios de advocacia, ela se torna professora e, logo mais, uma advogada especializada em questões de discriminação por gênero.


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Crítica Cineweb

06/03/2019

A norte-americana Ruth Bader Ginsburg não se parece nada com a imagem que no Brasil temos de uma juíza do Supremo Tribunal. Aos 85 anos, conhecida por suas posições progressistas, ela é um verdadeiro ícone pop, com direito a inspirar bonecas, ter sua imagem estampada em camisetas, canecas e até tatuagens, além do apelido de “Notorious R.B.G.”, uma brincadeira com o nome do falecido rapper Notorious B.I.G. (1972-1997), como ela, originário do Brooklyn nova-iorquino.
 
Nada disso está no filme Suprema, em que a diretora Mimi Leder volta ao cinema, depois de 10 anos dedicada à TV, para recriar parte da biografia da popular juíza, baseada num roteiro do sobrinho da personagem, Daniel Stiepleman, que recebeu palpites e a benção da biografada.
 
Por conta disso, pode-se esperar algum chapa-branquismo? Difícil dizer, ainda mais por ser tão inspiradora a trajetória desta mulher, aqui interpretada por Felicity Jones, num relato que se limita à sua juventude.
 
Quando o filme começa, vemos Ruth entrando na Faculdade de Direito de Harvard, junto a uma multidão de alunos homens. Ela é apenas uma das nove alunas admitidas naquele ano de 1956, no meio de 500 rapazes. É visível como os vestidos sobressaem na paisagem atulhada de ternos.
 
Ser uma das raras mulheres num ambiente hostil – e o primeiro a não escondê-lo é o reitor Erwin Griswold (Sam Waterston) -, Ruth tem outros desafios: é casada, com o mais que compreensivo Marty (Armie Hammer), também aluno em Harvard e ambos dividem o cuidado à sua filha bebê, Jane.
 
O objetivo mais evidente do filme é destacar episódios-chave neste período de afirmação daquela que se tornaria uma grande advogada em prol dos direitos de gênero, antes de virar juíza. Assim, assiste-se ao jantar, concedido pelo reitor de Harvard a suas escassas nove alunas em que, por trás da homenagem, esconde-se uma armadilha. Afinal ainda na mesa, ele exorta uma a uma a expor os motivos de estarem ali, “ocupando o lugar de um homem”.
 
A ainda inexperiente Ruth não se sai muito bem neste primeiro embate com Griswold. Mas seu despreparo é mais um desafio – a fragilidade de alguns tropeços apenas delineia sua humanidade, dando maior sentido à sua jornada de perseverança e dedicação intelectual para superar todos eles.
 
Outras batalhas muito maiores a aguardam. Mesmo formada com notas excelentes, a recém-formada advogada não consegue emprego em nenhum escritório de Nova York e não é por falta de responder a dezenas de anúncios. Assim, ela acaba tornando-se professora em Rutgers, ocupando uma trincheira onde acumula forças para futuros embates.
 
Ocupa parcela considerável do filme um caso decisivo na história dos direitos de gênero nos EUA, em que ela, auxiliada pelo marido, defende, ironicamente, um homem discriminado. Trata-se do vendedor Charles Moritz (Christian Mulkey), que vê recusado seu pedido de dedução fiscal dos cuidados a uma mãe doente, porque esse tipo de benefício somente se aplicava a mulheres cuidadoras – homens não eram considerados elegíveis para isso.
 
Certamente, o filme envereda por detalhamentos jurídicos indispensáveis à clareza desta questão, na qual interferem também dois personagens essenciais: a filha mais velha de Ruth, a agora adolescente Jane (a excelente Cailee Spaeny), mais aguerrida do que a mãe no feminismo, e o dirigente da União para as Liberdades Civis na América, Mel Wulf (Justin Theroux), seu parceiro na causa do vendedor, e que ora se mostra um aliado, ora um obstáculo.
 
Pode-se argumentar, especialmente os que melhor conhecem a vida da juíza, que falta alguma ousadia ao relato – ainda mais porque se sabe que a verve da personagem real não dispensa a ironia. Entretanto, se se levar em conta uma intenção de apenas introduzir os espectadores à história desta pessoa extraordinária, Suprema não faz feio. Dá conta do recado de mostrar a formação inicial desta pequena mulher de aço, que já foi recentemente tema de um documentário indicado a dois Oscars (RBG, de Julie Cohen e Betsy West).

Neusa Barbosa


Trailer


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