Entardecer

Ficha técnica


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País


Sinopse

Em 1913, a jovem Iris Leiter volta a Budapeste, buscando trabalho na elegante loja de chapéus que leva seu sobrenome e pertenceu a seus pais, mortos num incêndio. Sua volta causa inquietaçõa e a leva ao encontro de revelações surpreendentes sobre seu passado.


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Crítica Cineweb

27/02/2019

À primeira vista, há um enorme contraste entre este Entardecer, segundo longa do cineasta húngaro Laszlo Nemes, e seu filme de estreia, o multipremiado drama O Filho de Saul (2015). Mas trata-se mais de uma questão de cenário. Entardecer tem como ambiente a elegante Budapeste da Belle Époque, em 1913, enquanto O Filho de Saul era enclausurado num campo de extermínio na II Guerra Mundial. A nova parceria entre Nemes e o diretor de fotografia daquele primeiro trabalho, Mátyás Erdély, no entanto, são a primeira pista de que está de volta o inquietante estilo visual do cineasta, a serviço da narrativa do turbilhão de um protagonista, perdido nos rigores de uma época turbulenta.
 
Iris Leiter (Juli Jakab) é uma jovem que volta a Budapeste, em busca de unir os pontos de uma história familiar trágica e fragmentada. É com a câmera colada nela que o filme assume sua subjetividade, para mergulhar na vertigem deste início de século, que prenuncia a decadência do Império Austro-Húngaro e a proximidade da I Guerra Mundial.
O núcleo de sua investigação pessoal é a loja de chapéus que leva o nome de sua família, que passou a novos donos depois da morte dos pais de Iris num incêndio, quando a menina tinha apenas dois anos. Depois disso, ela foi levada a um orfanato e, posteriormente, a guardiões, a quem deixou para tentar preencher as lacunas de uma biografia atormentada.
 
O novo dono da loja, Oskar Brill (Vlad Ivanov), não esconde o espanto ao vê-la, imagem fiel de sua mãe morta. Iris quer trabalhar ali, confeccionando chapéus, mas Brill opõe-se absolutamente. Quer vê-la o quanto antes fora dali, levando-a à estação de trem, de onde, mais uma vez, ela escapa, insistindo em circular em torno da loja.
 
A câmera claustrofóbica, que evita planos médios e panorâmicas, fechada no ponto de vista de Iris, contribui para a sensação de sufocamento e também de pesadelo, pois cada pessoa que se aproxima da moça com alguma revelação mais parece acrescentar angústia do que aliviá-la. Iris é emocional, persistente, mas também ingênua, não sabendo como lidar com a sucessão de informações e contra-informações que podem, ou não, conduzi-la ao encontro de seu passado.
 
A existência de um irmão, Kalman, que ela desconhecia, abrem as portas para o envolvimento da moça com um núcleo de agitadores anarquistas, cujas razões, tais como as dos demais personagens, nunca são devidamente explicitadas. Há um clima de rebelião e mistério, iigualmente envolvendo as atividades obscuras de Oskar Brill com a família real.
 
O ambiente elegante e luxuoso em torno da loja Leiter é também uma metáfora do mundo de aparências prestes a revelar um lado vicioso e sombrio. O roteiro, assinado por Nemes, Clara Royer (sua parceira em O Filho de Saul) e Bertrand Taponier, tal como a câmera, não deixa espaço a respiro. O estilo vertiginoso da narrativa, a partir da fotografia e de um trabalho de montagem e som, é, mais uma vez, poderoso - mas a jornada dramática desta protagonista não é, nem de longe, equivalente à de Saul (Geza Rohrig). Ainda assim, Juli Jakab encarna com sutil intensidade o papel da inocência ultrajada às vésperas da barbárie.

Neusa Barbosa


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