Gloria Bell

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Sinopse

Gloria Bell tem 50 e poucos anos, é divorciada há 10. Vive sozinha, tendo dois filhos adultos e independentes dela. Adora dançar e sai sempre para isso, num bar para seniors. Lá conhece Arnold, divorciado como ela e engatam um romance complicado.


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Crítica Cineweb

21/02/2019

O chileno Sebastián Lelio está se tornando um dos diretores mundiais mais especializados no feminino, realizando, em Gloria Bell, seu segundo filme em língua inglesa (o primeiro foi Desobediência, de 2017). Desta vez, ele foi chamado por Julianne Moore, produtora executiva aqui, para refilmar o seu Gloria, que deu o prêmio de melhor atriz a Paulina García no Festival de Berlim em 2012.
 
Histórias de solidão e vontade de viver após divórcio e os 50 anos, afinal, são universais. Mas, protagonizado por Julianne Moore e ambientado em Los Angeles, ao invés de Santiago, o enredo muda de temperatura - embora grande parte dos detalhes do original sejam mantidos, nesta adaptação do roteiro de Gonzalo Maza por Alice J. Boher.
Como a Gloria chilena, a norte-americana adora ouvir música no rádio e dançar. É justamente num bar para seniors, onde ela costuma dançar, que conhece Arnold (John Turturro), um outro divorciado, como ela, que tem duas filhas adultas (Gloria tem um casal de filhos).
 
É um prazer ver na tela dois veteranos como Julianne e Turturro contracenando, vivendo um romance maduro marcado por todas as controvérsias dessa fase da vida. Como o personagem do filme original, este Arnold é um ex-militar que tem um parque de diversões (paintball e assemelhados) e uma relação problemática com a ex- e as filhas, que estão sempre perturbando-o, impedindo-o de viver - e ele deixa.
 
Tanto como o filme original, este aqui se apóia numa série de pequenas situações cotidianas que permitem entrar na vida da protagonista, uma pessoa delicada, amorosa, disponível para a vida e o afeto. Compartilha-se seus telefonemas para os filhos, Peter (Michael Cera) e Anne (Caren Pistorius); suas viagens de carro, indo e vindo do trabalho, cantarolando a plenos pulmões os hits pop de sua juventude; a solidão de seu apartamento, em que ela é perturbada pelos gritos de um vizinho abusivo e as visitas insistentes de um gato, que quer lhe pertencer, mas ela resiste. São cenas fragmentadas, que vão se somando, como num caleidoscópio, para retratar esta mulher simples e comum, que nada tem de heroína - embora eventualmente possa empunhar a coragem repentina dos tímidos e dar-se o direito a uma explosão revigorante contra aquilo que a atormenta, a revanche de uma grande decepção e afronta.
 
Mais uma vez, Lelio mostra-se um grande diretor de atrizes, como no citado Desobediência, um trabalho belíssimo de Rachel Weisz e Rachel McAdams, além do esplêndido Uma Mulher Fantástica, vencedor do Oscar de filme estrangeiro 2018, embalado pelo carisma de Daniela Vega.
 

No elenco recheado de surpresas, vê-se Rita Wilson no papel de Vicky, uma das amigas de Gloria e em cuja mesa de jantar trava-se uma das conversas mais sérias da história, girando em torno de controle de armas e aquecimento global; a alemã Barbara Sukowa, a admirável intérprete de Hannah Arendt e Rosa Luxemburgo, como Melinda, colega de trabalho de Gloria; e sua mãe (Holland Taylor), que em duas cenas entrega uma imagem cristalina dos dilemas de uma geração mais velha e da capacidade de empatia. Aliás, empatia é o sentimento deste filme. 

Neusa Barbosa


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