Primeiro ano

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Sinopse

Depois de tentar Medicina um ano, Antoine recusa-se a trocar de área, preferindo disputar novamente uma vaga por sua opção, pela qual ele é apaixonado. Neste ambiente competitivo, conhece Benjamin, um filho de médico, que tem todas as facilidades para seguiir a mesma linha, mas não tem a mesma paixão de Antoine.


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Crítica Cineweb

12/02/2019

O diretor francês Thomas Lilti completa uma espécie de trilogia informal em torno da medicina em Primeiro Ano. Neste drama, ele revisita as próprias lembranças de ex-estudante da área para resgatar o clima das etapas preparatórias desta que é uma das profissões mais competitivas do mundo. Lilti assinou anteriormente os filmes Hipócrates e Insubstituível.
 
É de Hipócrates que vem Vincent Lacoste, ator que aqui abraça o papel de Antoine. Apaixonado pela medicina, o rapaz recusa desviar-se para a Odontologia quando sua nota, na primeira tentativa, não o classifica para a opção desejada. Torna-se, então, um veterano do curso preparatório, onde vai encontrar Benjamin (William Lebghil). Nada une os dois exceto a concorrência por uma das disputadíssimas vagas, o que, em princípio, poderia logicamente separá-los. Mas, ainda assim, forma-se entre os dois uma espécie de aliança e eles passam a morar e estudar juntos. Nenhum interesse romântico envolvido – este não é um filme gay.
 
Na verdade, nada existe fora do estudo, numa tentativa insana de cumprir um programa enorme e difícil, um verdadeiro massacre de energias. O que distingue Antoine e Benjamin também é o envolvimento. Enquanto o veterano está jogando o “jogo da vida”, sem plano B, Benjamin alimenta dúvidas sobre seu caminho, aliás, traçado, uma vez que ele é filho de um médico que já espera sua formatura para torná-lo seu sucessor, naquelas famosas dinastias da elite.
 
Embora este não seja, a rigor, o foco preferencial da história, há uma diferença social entre seus protagonistas que se reflete em seus resultados. Filho de família de classe média remediada, Antoine não tem qualquer estímulo senão a própria paixão que, com o tempo, parece estar virando uma obsessão – em seu ambiente escolar, muitos como ele acabam desistindo em favor de outras profissões para não ficar pendentes de um diploma tão difícil. Esta persistência está lhe custando caro, inclusive em termos físicos, psicológicos.
 
Benjamin, por sua vez, tem seu caminho aplainado. Seus pais alugaram o pequeno apartamento em que ele mora, pertinho da escola – onde ele vai acolher Antoine – e ele vem de uma formação escolar de elite que já o treinou com vantagens para dar-se bem neste tipo de disputa acirrada. Ele não sente a tensão de Antoine quando enfrenta seus testes e isso lhe garante, não raro, resultados melhores.
 
O foco da história é mais este mecanismo de seleção, este ambiente ultracompetitivo que privilegia, aparentemente, aqueles capazes de dominar a aplicação de testes. O diretor Lilti mostra-se mais interessado em desvendar este processo massacrante, que devora individualidades jovens e, ao final, talvez não aponte os melhores candidatos a uma profissão que depende essencialmente de empatia humana, além de sólido conhecimento científico.
 
Por esta ênfase num ambiente que o próprio Lilti frequentou e conhece bem – e até mostra relativas semelhanças com os vestibulares brasileiros -, o filme torna-se eventualmente um pouco árido, ainda mais por conta de alguns jargões médicos. Mas é salvo pelo empenho de seus jovens atores em retratar as diversas nuances de uma amizade numa situação inóspita para esse tipo de sentimento. Vincent Lacoste é, já há algum tempo, um dos nomes mais promissores do cinema francês.

Neusa Barbosa


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