Querido menino

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

David Sheff é um jornalista bem-sucedido em San Francisco, que mora com o filho, Nic, do primeiro casamento, e a nova mulher e dois filhos pequenos. O grande drama de sua vida começa quando Nic se vicia em drogas.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

08/02/2019

A grande palavra por trás de Querido Menino é empatia. Este é o sentimento que o filme procura criar, retratando as dramáticas consequências da dependência química de Nic (Timothée Chalamet), o filho mais velho de uma família classe média de San Francisco.
 
Dirigido e corroteirizado pelo cineasta belga Félix van Groeningen – a partir dos livros de memórias de David e Nic Sheff -, muito do filme se passa dentro deste relacionamento entre Nic e seu pai, David (Steve Carell), mantendo o foco no dilaceramento familiar provocado pelos problemas do rapaz.
 
Sem ser original, o drama distancia-se de alguns clichês habituais em histórias sobre dependência química, como que o vício aconteceria preferencialmente em famílias disfuncionais. Não há nada disso no núcleo familiar de Nic, que cresceu protegido e amado pelo pai, apesar de divorciado (amigavelmente) da mãe, Vicki (Amy Ryan), que mora em Los Angeles. A madrasta, Karen (Maura Tierney), é compreensiva e amistosa, assim como os irmãozinhos menores de Nic, filhos dela.
 
Assim, permanecem obscuras as causas que levam um rapaz inteligente, praticante de surfe, talentoso no desenho e na literatura, a procurar as drogas. E este desconhecimento parece igualmente atormentar o próprio Nic. Há uma busca de emoções em alta voltagem que o conduz a, permanentemente, voltar às substâncias ilícitas, cobrindo de culpa e dor suas inúmeras recaídas e tentativas de recuperação. Numa de suas muitas conversas dolorosas com o pai, ele menciona um vazio que procura suprir; as drogas, apesar de todos os riscos que ele não ignora, o levam “do preto e branco ao tecnicolor”.
 
Neste sentido, o filme tem seu aspecto mais realista, ao não dourar a pílula mesmo nos momentos em que o rapaz tem longos períodos de abstinência e parece curado. Seu pai igualmente sofre por apegar-se à imagem do filho menino e companheiro, afetivo e ousado, que, adulto, não corresponde a nenhuma de suas expectativas. Nem às dele mesmo, nem às do pai.
 
Nesta gangorra emocional entre pai e filho é que o filme deposita sua âncora. Mesmo importantes, as mulheres da trama, Karen e Nicki, são secundárias na trama. Indicado ao Globo de Ouro, Bafta e Sindicato dos Atores da América como coadjuvante, Chalamet mergulha no inferno e transmite um sofrimento genuíno com sua batalha para lidar com seu problema. Numa outra chave, Steve Carell mostra-se ligeiramente travado para liberar algumas emoções deste pai, compartilhando a jornada infernal do filho sem querer perder a esperança.
 
O uso da música, a partir de canções de John Lennon (de quem veio o título original, Beautiful Boy), Perry Como, Nirvana e Sigur Vos, é particularmente eficiente e bem articulado.

Neusa Barbosa


Trailer


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