Jovens infelizes ou um homem que grita não é um urso que dança

Jovens infelizes ou um homem que grita não é um urso que dança

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Locais de filmagem


Sinopse

Grupo teatral, que vive em comunidade, procura montar um espetáculo, lutando contra dificuldades financeiras e pessoais e vivendo sua liberdade ao máximo. Ao mesmo tempo, seus integrantes participam de um contexto social em que ocorriam protestos de rua, em S. Paulo, contra os gastos da Copa do Mundo de 2014.


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Crítica Cineweb

06/02/2019

Melhor longa da mostra Aurora do Festival de Tiradentes 2016, do diretor estreante Thiago B. Mendonça, Jovens Infelizes ou Um Homem que Grita não é um Urso que Dança é um filme que se propõe a desafiar sua possível plateia desde o título quilométrico. O que é uma proposta de risco, mas é esta a intenção declarada do cineasta, autor de curtas como A guerra dos gibis, Minami em Close Up: A Boca em revista e Piove, il Film di Pio.
 
Num filme de duas horas, os sinais de um cinema de guerrilha estão por toda a parte, desde o declarado orçamento minúsculo de R$ 40.000,00 (fruto de um edital de roteiro) e a fotografia em preto-e-branco, numa narrativa fragmentada que entrelaça as experiências de uma trupe teatral que vive em comunidade e os protestos nas ruas de São Paulo, em 2014, contra os gastos da Copa do Mundo.
 
A narrativa é organizada em “passagens”, de trás para a frente, começando pelo epílogo da sexta parte, um “cabaré dos mortos”. A experiência teatral impregna várias cenas, traduzindo a vivência do próprio diretor neste campo. Os temas se alternam, de um sequestro de governador, ao fechamento de um cabaré, discussões e sexo entre os atores, a incorporação de um padre à trupe, a exibição de trecho de Alma Corsária, de Carlos Reichenbach – homenageado nos créditos – uma fala do cineasta Andrea Tonacci, outro paradigma da liberdade de experimentação no cinema. É isto e bem mais, explorando temas de interesse do filme, como a realização de uma “arte revolucionária” diante de um quadro de desmoronamento das utopias – pelo menos, das utopias passadas, referenciadas em diversas imagens de movimentos e turbulências políticas do século XX. Não a utopia anarquista, no entanto, invocada ao longo do filme pela palavra de ordem: “Pra começar de novo, é preciso destruir”.
 
Despejando seu arsenal de referências e buscas, o filme torna-se caótico e nem sempre de uma maneira instigante e positiva. Falta uma articulação melhor dessas ideias e sentimentos nesse discurso, que fizesse melhor proveito das passagens mais interessantes. Afinal, em qualquer narrativa, o sentido do ritmo é importante, por mais que causar perplexidade e incômodo esteja entre as prerrogativas de um filme. Enfim, viva a liberdade de criar, de experimentar, mas uma versão mais enxuta de todo este turbilhão poderia tornar a viagem dos espectadores mais proveitosa.

Neusa Barbosa


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