Poderia me perdoar?

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Sinopse

Depois de ter relativo sucesso com a escrita de biografias, Lee Israel mergulha no fracasso e na dependência do álcool. Por acaso, descobre como falsificar cartas pessoais de escritores e autores famosos e este se torna seu ganha-pão, com a cumplicidade de um amigo que também está na pior.


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Crítica Cineweb

06/02/2019

Desde o título à primeira vista um tanto sentimental, Poderia me Perdoar?, este não é o tipo de filme que se espera com a temática da literatura. Ao invés de uma perspectiva um tanto idealizada dos escritores e dos amantes dos livros, é uma obra que escava os bastidores da arte, trazendo à tona aspectos menos edificantes mas, nem por isso, menos humanos e, por isso, dignos de atenção.
 
Uma das melhores comediantes do cinema atual, Melissa McCarthy deixa de lado a vocação cômica para encarnar a protagonista antissocial, ácida e falsária. Trata-se da escritora Lee Israel, uma personagem real, e que proporcionou à atriz uma nova indicação ao Oscar de melhor atriz (a segunda, depois de Missão Madrinha de Casamento). O filme recebeu também indicações para melhor roteiro adaptado (a partir da biografia da própria Lee Israel) e melhor ator coadjuvante (Richard E. Grant).
 
Completamente transformada fisicamente e desglamurizada, McCarthy entra na pele de uma personagem fascinante, apesar de todas as suas asperezas, o que é resultado de sua atuação empenhada e da direção sutil da diretora Marielle Heller. Assim, ganha vida a inusitada história de uma bem-sucedida autora de biografias que conheceu o sucesso e a decadência, a ponto de não conseguir mais sustentar-se – também porque perdia seus empregos devido a brigas e alcoolismo.
 
Desesperada por não poder pagar seu aluguel e, pior ainda, as contas do veterinário de Jersey, sua adorada gata e única companhia, Lee descobre uma atividade lucrativa, porém, ilegal – a produção de cartas falsas de escritores e autores famosos e devidamente mortos. A partir do momento em que ela vende uma carta (verdadeira) – encontrada por acaso numa biblioteca -, ela vislumbra aí sua porta de saída.
 
O grande acerto do filme está em evitar julgar e moralizar o comportamento evidentemente criminoso de Lee sem esconder as nuances humanas de sua protagonista – um ser tão cheio de amor por sua gata quanto desconfiado de todo e qualquer ser humano. Ainda assim, ela acaba abrindo uma brecha em sua vida para Jack Hock (Richard E. Grant), um bon vivant sem trabalho nem endereço certo que bate ponto no mesmo bar gay que ela frequenta (onde, aliás, ela é a única mulher à vista).
 
Com o tempo, Hock torna-se seu confidente, depois, cúmplice na empreitada de falsificação e comércio das cartas de famosos. Evidentemente, é questão de tempo até que o FBI entre na jogada. Mas, enquanto isso, Lee pesquisa, compra papeis, envelhece-os, alterna máquinas de escrever antigas, dominando sua técnica de falsária com total maestria. Mais do que isso, transforma em verdadeiro estilo literário a arte de forjar cartas que se aproximam do estilo dos autores imitados, caso de Dorothy Parker, Lilian Hellman e Noël Coward. Para compreender o universo mental de um escritor, nada melhor do que um outro.
 
Dosando com equilíbrio as emoções e também as ironias da situação, o filme foge do melodrama e não derrapa em gracinhas fáceis, apoiado no afinado dueto de intérpretes que ocupa o seu centro. Dois fracassados que inspiram respeito, ternura e nunca piedade.

Neusa Barbosa


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