Vox Lux – O Preço Da Fama

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Sinopse

Desde a adolescência, a vida de Celeste é marcada por atos de terrorismo. Agora, adulta e famosa, um ataque na Croácia irá assombrar a carreira da cantora, prestes a fazer um megashow.


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Crítica Cineweb

04/02/2019

Em Vox Lux – O preço da fama, a sociedade do espetáculo debordiana é reconfigurada sob a mediação do terrorismo, mais de meio século depois do termo ter sido cunhado pelo pensador francês. Escrito e dirigido por Brady Corbet, o filme questiona qual o papel da arte e do entretenimento no mundo contemporâneo, no qual a violência se tornou um espetáculo mais assustadoramente atraente do que qualquer outra coisa.
 
Celeste (Raffey Cassidy) é uma sobrevivente: é uma das poucas adolescentes que não morreu num ataque de um rapaz armado em sua escola – embora, uma bala tenha ficado alojada em seu pescoço, obrigando-a a usar sempre uma echarpe para esconder a cicatriz. O trauma também não foisuperado e a perseguirá para sempre, o que não a impede de capitalizar em cima dele. Não é sua culpa que, durante uma homenagem aos colegas mortos, ela cante e sua voz angelical chame a atenção da indústria fonográfica, levando-a rumo ao estrelato.
 
Em seu segundo longa como diretor, Corbet se mostra novamente interessado na perda da inocência – em níveis pessoais e nacionais. No primeiro filme, A infância de um líder, acompanhava o amadurecimento de um pequeno fascista desde criança até se tornar um ditador. Aqui, a ascensão de Celeste é marcada por atos de terrorismo. Primeiro na escola, depois, o 11 de setembro, quando ela está em Nova York, com a irmã mais velha, Eleanor (Stacy Martin), gravando seu primeiro disco.
 
A narrativa de Vox Lux é organizada em torno dos ataques. O terceiro deles, no nosso presente, acontece numa praia na Croácia, onde homens armados atiram para todos os lados, e o detalhe: usam máscaras de lantejoulas como aquelas que ficaram popularizadas num clipe de Celeste. Agora, a protagonista é interpretada por Natalie Portman, que a faz com uma ferocidade que só elas (atriz e personagem) parecem ser capazes de ter.
 
A cantora está novamente em Nova York, onde fará um show, e é informada do acontecimento. Seu empresário (Jude Law) logo arma uma coletiva: Celeste tem que se pronunciar. As respostas são genéricas, e isso nem é culpa dela, pouco se sabe sobre o ocorrido. A protagonista está, no entanto, mais interessada em reconectar com sua filha adolescente, Albertine (novamente interpretada por Cassidy), que é mais próxima da tia Eleanor do que da mãe-estrela.
 
Corbet não é dado a afetações visuais, mas é repleto de estilo. Tudo é muito contido, numa fotografia pálida, assinada por Lol Crawley, que ressalta tons cinzentos de uma Nova York repleta de metais e vidros. O segundo ato do longa se desenrola quase num tempo real doloroso, no qual a diva tenta fazer coisas de pessoas “normais”, como ir tomar um lanche com a filha, mas é cercada de paparazzi e fãs. As músicas de Celeste são pegajosamente ruins de propósito. Ela é um furacão no palco que fala ao coração das adolescentes – embora a comunicação com sua própria filha seja inexistente.
 
Se as músicas da protagonista – criadas pela cantora Sia – são esquecíveis, o mesmo não se deve dizer da imponente trilha de Scott Walker, que morreu nesta semana. Seus acordes são poderosos na percepção da dissonância entre a essência e a aparência de Celeste. Curiosamente, sua essência é revelada no palco (nas cenas finais), enquanto sua aparência é aquela com a qual ela tenta levar uma vida normal. A trilha sonora é reveladora e em perfeita harmonia com a forma do filme. Corbet cria um pesadelo pop, numa espécie de Nasce uma estrela para o apocalipse, no qual a fama supera o humanismo. O resultado é um filme que não vai agradar a todos – na verdade, não deve agradar muita gente. Mas aqueles que deixarem se levar por Vox Lux certamente vão encontrar um retrato perspicaz e sombrio de nosso tempo. 

Alysson Oliveira


Trailer


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