Vergel

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Uma brasileira e seu marido passam as férias na Argentina, até que ele morre num acidente, e ela se vê sozinha, tendo que não apenas lidar com sua perda, como também enfrentar toda a burocracia para o traslado do corpo.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

28/01/2019

Vergel é um filme que joga com recusas e aceitações. Sua primeira recusa é nomear sua protagonista, interpretada por Camila Morgado. Ela é uma brasileira de férias em Buenos Aires, cujo marido morre num acidente. Não bastasse a dor da perda e da solidão, ela tem de lidar com toda a burocracia de traslado do corpo sozinha. Hospedada num apartamento, sua única companhia são as plantas que dominam o local – estão presentes nos cômodos, na varanda, para onde se olha há verde.
 
Essa mulher está, compreensivelmente, num estado de catatonia. Não atende telefonemas e, quando atende, é monossilábica e recusa que uma amiga venha do Brasil para ajudar. O tempo se dilata para ela e para o filme, produzido, escrito, dirigido, fotografado pela argentina Kris Niklison. Como a personagem, perdemos a noção do tempo – o tempo de espera é sempre assim, parece maior do que realmente é. O filme, às vezes, parece mais longo do que seus 86 minutos. O que se acompanha aqui é a jornada de aceitação de uma nova era para essa mulher.
 
Morgado é uma ótima atriz – algo que em sua estreia no cinema, Olga, não dava para imaginar (mas, verdade seja dita, a culpa não era dela) – seja no drama ou comédia (vide os recentes O animal cordial e Divórcio). Aqui, durante boa parte do filme, é o show de uma mulher só. E que show! Solitária, no apartamento, ela eventualmente fala ao telefone, com alguém no Brasil, com algum funcionário do necrotério ou afins, na tentativa de levar o corpo para seu país.
 
A atriz interage com o espaço, suas colegas de cena são as plantas. Colocada numa posição privilegiada – o apartamento é num andar alto –, ela é capaz de observar a vida ao seu redor: a rua, prédios no entorno. Para ela, diante de sua situação, desse momento, nada faz muito sentido. Seu luto parece não ter começado – como se diz, “a ficha ainda não caiu”. Sua solidão é interrompida pela chegada de uma vizinha (Maricel Álvarez), um tanto intrometida, que começa a se impor na vida da protagonista. A moça, olha a coincidência!, acaba de chegar de viagem ao Brasil, e terminou com o namorado – também está sozinha. A argentina ajudará no caminho da auto-aceitação da outra.
 
Assim como a personagem principal, o filme perde um tanto de sua estabilidade adquirida até então. Os diálogos nem sempre funcionam, e Morgado tem claramente um domínio de cena maior do que Álvarez - talvez a culpa seja mais das personagens do que das atrizes –, surgindo uma discrepância na frente da câmera e uma certa saudade de quando apenas a brasileira e as plantas estavam em cena. 

Alysson Oliveira


Trailer


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