No portal da eternidade

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Sinopse

Ignorado pela crítica e público, o pintor holandês Vincent Van Gogh abandona Paris e se muda para o sul da França, onde a natureza o inspira a fazer seus quadros mais famosos. O filme acompanha seus últimos anos de vida, quando morou em Arles e, posteriormente, em Auvers-sur-Oise.


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Crítica Cineweb

28/01/2019

Mais de uma dezena de filmes, entre documentários e ficções, abordam a vida relativamente curta e conturbada de Vincent van Gogh, que morreu em 1890, aos 37 anos, em circunstâncias um tanto obscuras. Em No portal da eternidade, o diretor Julian Schnabel injeta certo frescor ao acompanhar os últimos anos da vida do pintor holandês enquanto morava no sul da França, em Arles e depois em Auvers-sur-Oise.
 
Como a animação Com amor, Van Gogh, o filme, escrito pelo diretor, em parceria com o veterano Jean-Claude Carrière e Louise Kugelberg, compra a teoria recente de que o pintor foi assassinado por dois rapazes que ele conhecia, aceitando a morte - tanto que sua famosa frase “Não acusem ninguém. Eu queria me matar” ganha um duplo sentido. Isso, obviamente, não é o centro do filme. O que interessa ao cineasta é o homem por trás do artista perturbado, lutando contra seus demônios interiores.
 
Premiado no Festival de Veneza/2018 e indicado ao Oscar por esse papel, Willem Dafoe é um ator visceral – vide, por exemplo Anticristo – e aqui encontra a medida certa entre a contenção e a explosão de loucura e arte. Schnabel não está interessado numa biografia, mas na acumulação de momentos que encontrem a intersecção entre a arte e a vida do pintor, para quem a natureza era algo sagrado. Não à toa, a fotografia do francês Benoît Delhomme ressalta a luz natural das paisagens, resultando num filme que parece inteiramente iluminado por girassóis.
 
Isso é um contraste com o começo do longa, quando o protagonista mora numa Paris cinzenta e opressora, onde finalmente apresenta suas pinturas na parede de um restaurante. Era para ser uma apresentação coletiva, mas ele acabou sendo o único a expor. Mais ignorado do que criticado, cai em desespero e acaba conhecendo Paul Gauguin (Oscar Isaac), que lhe sugere para mudar para o sul da França, onde encontrará a luz que tanto o agradará.
 
Praticamente sem dinheiro, ele vai para Arles, onde fica na famosa Casa Amarela, enfrentando um frio cruel. No vilarejo, Van Gogh é hostilizado pelos moradores, por conta de seus modos peculiares – o que se reflete em sua pintura, também ridicularizada pelos locais. Um dos episódios mais marcantes é quando ele está num campo pintando, sendo interrompido por uma professora (Anne Consigny) e seus pequenos alunos, que zombam do quadro em andamento, resultando num momento de violência do artista.
 
Tudo isso contribui na construção do personagem e investigação de como sua vida e sua obra estão ligadas. Schnabel, no entanto, nunca força em colocar lado a lado figuras reais e suas representações pictóricas  do pintor – como Madame Ginoux (Emmanuelle Seigner), por exemplo, dona de uma taberna e modelo (involuntária) de um quadro famoso.
 
Schnabel, que começou sua carreira como artista plástico, estreou na direção em cinema com a biografia de Basquiat (1996), e sempre procurou saídas visuais criativas para o tormento de seus personagens – a melhor delas está em O escafandro e a borboleta, que tem como protagonista um jornalista paralisado após um AVC, capaz de se comunicar piscando apenas um olho. Em No portal da eternidade, a tarefa é mais fácil por conta da arte de Van Gogh – sua paleta de cores é usada com sagacidade. Mas o mais interessante é como seu filme traz à tona a força interior do pintor holandês. Lá se vão mais de 60 anos quando John Wayne disse a Kirk Douglas, que havia acabado de interpretar Van Gogh: “Temos que fazer personagens fortes, corajosos. Não esses fracotes esquisitos.” Dafoe e Schnabel mostram que o pintor holandês era muito mais forte e corajoso do que o senso comum pode imaginar. 

Alysson Oliveira


Trailer


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