Vice

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País


Sinopse

Expulso de Yale, Dick Cheney parece fadado ao fracasso, mergulhando na bebida. Tira-o do buraco sua noiva, Lynne, com um ultimato. Juntos, os dois percorrerão uma trajetória ascendente, com Dick dominando os meandros do poder em Washington e tornando-se o mais poderoso - e maléfico - vice-presidente da história dos EUA, no governo George W. Bush.


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Crítica Cineweb

16/01/2019

Quando se olha para um mundo mergulhado em guerras – e abalado pelos dramáticos efeitos das mais recentes-, pouquíssimas pessoas, certamente, se lembrariam logo de Dick Cheney, o vice-presidente dos EUA sob George W. Bush. Vice, o inspirado filme do veterano diretor, produtor e roteirista Adam McKay, resgata esse personagem das sombras para revelar a incrível importância que exerceu, sem que quase ninguém notasse. Afinal, como se destaca desde o início, esta é uma figura discreta, muito discreta – e altamente determinada e letal, se avaliamos os resultados de sua atuação na política externa dos EUA.
 
Indicada a oito Oscars, incluindo filme e direção, a obra crava seus dentes no ambíguo protagonista, interpretado com a garra habitual por Christian Bale – quase irreconhecível sob uma excelente maquiagem -, com acidez, ironia e uma linguagem veloz e criativa. Merecidamente, a montagem, de Hank Corwin, também concorre a Oscar. Acompanha-se, assim, um começo de vida que não parece nada promissor. Expulso da universidade, o jovem Cheney mergulha na bebida e parece perder o rumo. Salva-o um ultimato da noiva, Lynne Vincent (Amy Adams), uma personalidade de ferro que será, ao longo de toda a vida do futuro marido, esteio, inspiração e uma parceira à altura numa ambição de poder inesgotável.
 
Cheney entra nos bastidores do Congresso quando se torna assistente de um deputado Republicano por Illinois, Donald Rumsfeld (Steve Carell), no nebuloso governo Richard Nixon. Humilde, aplicado, fiel, Cheney absorve os mecanismos que sustentarão sua notável ascensão, não só na política. Quando Rumsfeld foi apeado do governo Nixon – salvando-se do tsunami do impeachment -, Cheney passou à iniciativa privada, tornando-se um executivo implacável e de sucesso em empresas como a Halliburton – que muito lucraria durante a guerra do Iraque, em cuja eclosão seu antigo funcionário teve um papel de ponta.
 
Diante da formidável quantidade de eventos e nomes que assolam a tela, é difícil não sentir vertigem – e ela é proposital. Uma das intenções do diretor é reproduzir a avalanche do noticiário na vida real que, não raro, nos aturde ao ponto da incompreensão, quando não leva tantos a simplesmente desistirem de entender todo esse rolo compressor. Para isso, recorre a um ótimo arsenal de recursos, entre eles, a participação de um narrador (Jesse Plessons), cujo papel na vida do vice-presidente conheceremos oportunamente. Estes recursos, além de quebrar qualquer monotonia, provocam os instintos da plateia – e esse é outro alvo do diretor. Afinal, na nossa ainda que temporária falência de sentidos é que se movimentam os piores manipuladores da política e de nossas vidas.
 
Nem por expor o frio determinismo deste conservador, que convenceu um presidente fraco, George W. Bush (Sam Rockwell, também indicado ao Oscar), a dar-lhe as rédeas da burocracia estatal, das Forças Armadas e da política externa, a história transforma seu protagonista num monstro sem coração ou nuances. É admirável como se constrói a personalidade de um homem fielmente apegado às mulheres de sua família, a esposa e as duas filhas – negando-se inclusive a renegar a caçula, Mary (Alison Pill), lésbica assumida, por mais que esta ligação acarretasse perdas junto ao eleitorado moralista e conservador.
 
Este parece, no entanto, o único traço genuinamente humano de um homem moldado pela ambição política, pelo apego ao poder e uma sombria determinação em momentos cruciais da história dos EUA, como a guerra do Iraque, da qual ele foi um dos mais férreos defensores e o principal artífice.
 
Obviamente, o filme não aspira a transformar-se num relato completo das últimas décadas. Antes, procura ser uma fisgada visceral na espantosa máquina de poder à disposição da presidência dos EUA, que muda drasticamente os destinos de todo o mundo, causando desastres e  mortes em massa, de seus cidadãos e de tantos outros. Retrato de uma época, Vice torna-se, neste outro momento conturbado da história mundial, um solerte aviso. É bom que, desta vez, estejamos todos menos distraídos.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 23/02/2019 - 18h07 - Por Thereza Martins Vi quase todos os filmes do Oscar. Não achei nenhum excepcionalmente bom, mas dois deles, na minha opinião, são muito chatos. Um deles é, exatamente, Vice, que crítica e público estão elogiando. Apesar da velocidade que o diretor tentou imprimir aos fatos narrados, o filme me pareceu arrastado, pesado, difícil de aguentar. O outro que não gostei foi A Favorita. Achei insuportável. Só não sai na metade do filme porque sou curiosa e queria ver o que acontecia - na verdade, não acontecia quase nada e o filme é muito longo para a curta história que conta.
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