Normandia nua

Normandia nua

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País


Sinopse

Em Mêles sur Sarthe, Normandia, os camponeses estão vivendo a pior crise. Seus produtos estão tabelados e eles não conseguem pagar os empréstimos bancários. O prefeito, então, recebe uma proposta estranha - um fotógrafo estrangeiro de passagem quer fotografar os moradores da cidade, todos nus, na paisagem de um belo campo da região.


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Crítica Cineweb

02/01/2019

Comédia esperta, Normandia Nua sai dos limites estreitos onde normalmente se confinam os filmes dispostos a fazer rir. Tomando emprestado uma pitada do clima de Ou Tudo ou Nada (1997) e Garotas do Calendário (2003), a história retrata os dilemas de um prefeito, Georges Balleuzard (François Cluzet), de uma bucólica cidade normanda, Mêle sur Sarthe, num momento de crise.
 
Ali, os camponeses não estão mais conseguindo sobreviver de seu trabalho, que inclui agricultura e criação de gado. Os preços de seus produtos, tabelados, e os progressivos custos do endividamento bancário estão liquidando um a um. Eles organizam protestos, fechando estradas, para atrair a atenção do governo em Paris. Num deles, fica preso no congestionamento ali perto um badalado fotógrafo norte-americano, Newman (Toby Jones), que se apaixona por uma paisagem local, Champ Chollet. Imediatamente, ele resolve tornar o local o cenário de sua próxima grande foto. Nenhuma polêmica haveria caso não fosse muito peculiar a especialidade do fotógrafo: capturar imagens de multidões de pessoas nuas numa determinada paisagem.
 
A primeira reação do prefeito, quando ouve a proposta de Newman, é botá-lo para correr. Mas os dias passam e ele rumina a ideia – quem sabe não é esta a grande chance da cidadezinha atrair para si a atenção do mundo, transformando a nudez dos cidadãos numa metáfora de seu empobrecimento?
 
O passo seguinte é o mais difícil – como convencer os honrados habitantes de Mêle sur Sarthe a tirarem a roupa em público, uns ao lado dos outros, diante da câmera de um estranho? Parece tarefa impossível, mas não há nada que este diligente e honesto prefeito não faça para salvar sua municipalidade, ainda que contrarie os moralistas de plantão, como o farmacêutico Férol (Philippe Duquesne).
 

 

Nenhuma história destas funciona sem uma trupe afinada de personagens simpáticos. Como o açougueiro Roger (Grégory Gadebois), angustiado pela perspectiva de que toda a cidade veja nua a sua bela esposa, Gisèle (Lucie Muratet), uma ex-miss local; um publicitário (François-Xavier Demaison), que se mudou de Paris em busca de ar puro e natureza, para desespero da filha adolescente, Chloé (Pili Groyne); dois eternos rivais na disputa de um pedaço de terra (Philippe Rebot e Patrick D’Assumção); e um par romântico, formado pela operária da fábrica de laticínios (Daphné Dumons) e um fotógrafo (Arthur Dupont).
 

 Diretor de As mulheres do sexto andar e Pedalando com Molière, o diretor e corroteirista francês Philippe Le Guay mantém o dinamismo desta engrenagem coletiva, que retrata uma pequena comunidade empenhada em sobreviver num mundo inóspito para as pessoas comuns. Le Guay se arrisca, inclusive, a incluir em sua história algumas notas menos cômicas, que contribuem para uma maior consistência dramática.

O ator François Cluzet, como sempre, é um maestro à altura neste conjunto, criando um discreto mas irresistível herói.

Neusa Barbosa


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