Lizzie

Ficha técnica


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País


Sinopse

Lizzie é uma jovem solitária que vive na Nova Inglaterra do final do século XIX e sofre com a opressão do pai e os maus-tratos da madrasta. Ela sonha em ser livre e a amizade com uma nova empregada da casa muda a vida das duas.


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Crítica Cineweb

19/12/2018

Dada a história de Lizzie Borden, uma espécie de celebridade sanguinolenta do século XIX, Lizzie poderia ser um filme bem melhor. Por outro lado, sem a presença das atrizes Chloe Sevigny e Kristen Stewart poderia ser bem pior. A personagem-título viveu na Nova Inglaterra, onde foi acusada de matar o pai e a madrasta a machadadas. O crime nunca foi realmente esclarecido, o que dá margem ao diretor Craig William Macneill (de O mundo sombrio de Sabrina, da Netflix) e à roteirista Bryce Kass de criar em torno do que se sabe.
 
Desde o começo, Lizzie (Sevigny) é mostrada como uma jovem oprimida pelo pai severo, Andrew (Jamey Sheridan), e pela madrasta (Fiona Shaw) mesquinha, e também é vítima de ataques epiléticos. Vivendo uma vida de conforto – uma vez que sua família tem dinheiro – ela tem na irmã, Emma (Kim Dickens), sua única amiga. Ela alimenta o desejo de ser independente, mas a sociedade local, repleta de resquícios coloniais no final do século XIX, não vê isso com bons olhos. Ainda assim, ela tem seus pequenos embates, desafia o pai e acaba indo sozinha ao teatro.
 
Entra em cena Bridget Sullivan (Stewart), empregada irlandesa que acaba de se mudar para a casa da família. Frágil e semianalfabeta, é pelas mãos de Lizzie que a moça descobrirá o mundo e o amor. A narrativa do filme se constrói a partir da relação delas, da amizade que começa com Lizzie ensinando a empregada a ler até o final trágico com duas pessoas mortas. A maneira como Macneill trata esse relacionamento é delicada e respeitosa. Essas duas mulheres são duas pessoas solitárias em busca de algum conforto.
 
O longa transita entre o terno e o trash, mas nem sempre encontra a profundidade que aparenta procurar nas personagens. Bridget sobre abusos sexuais do patrão e não se sabe também o que ele possa ter feito com a filha no passado para resultar na relação tumultuada – a opressão feminina do passado tenta, assim, reverberar no presente do #MeToo. O interesse de Macneill está mais na maneira como as coisas ocorreram, uma vez que sabe-se muito bem como as mortes aconteceram.
 
Na vida real, o julgamento de Lizzie dominou o noticiário por meses,  alimentado especialmente por sua frieza diante dos fatos. O filme se perde exatamente nessa parte, na sua reta final, quando cria uma fantasia sobre os crimes que pouco joga luz sobre eles – e enfatiza mais uma Sevigny nua e coberta de sangue do que as ações de Lizzie. A personagem busca sua voz em boa parte do filme e quando parece encontrá-la não tem a quem dizer. De qualquer forma, a fotografia de Noah Greenberg é impressionante em sua capacidade de enquadrar a dupla central emoldurada por elementos da casa – transformando em imagens o sufocamento interior e a opressão que elas enfrentavam. 

Alysson Oliveira


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