O retorno de Mary Poppins

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Vinte anos depois de sua passagem pela casa da família Banks, a babá Mary Poppins ressurge dos céus, agora para ajudar seus antigos protegidos, Jane e Michael, a não perderem a casa da rua Cherry Lane, onde cresceram.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

05/12/2018

Cinquenta e quatro anos depois, Mary Poppins está de volta às telas. Mais uma vez, a mágica babá chega a Londres voando, com seu inseparável guarda-chuva, e imbuída da missão de salvar a família Banks.
 
Na história, mais de 20 anos se passaram desde sua primeira temporada na casa da rua Cherry Lane. Agora, ela é ocupada por Michael Banks (Ben Whishaw), o menino de quem ela cuidava, hoje um adulto viúvo e pai de três crianças, Annabel (Pixie Davies), John (Nathanael Saleh) e Georgie (Joel Dawson). Na passagem de uma geração, houve um claro declínio: no banco onde seu pai era um funcionário qualificado, Michael tornou-se um empregado modesto e, o que é pior, devedor de um grande empréstimo que ele não tem como pagar. Por conta disso, pode perder sua casa para o banco que seu pai ajudou a construir.
 
Sua irmã, Jane (Emily Mortimer), que mora fora da casa, é uma ativista na linha de sua mãe, que era suffragette. Jane, por sua vez, é militante pelas causas operárias, participando de passeatas e atos públicos que o filme nunca retrata – apenas os panfletos que ela carrega.
 
Essa profunda crise econômica de uma Inglaterra entreguerras mostra uma correspondência perfeita com nossos tempos sombrios, especialmente por essa voracidade da elite financeira, no filme simbolizada pelo novo diretor do banco, Wilkins (Colin Firth), ávido por apoderar-se das casas dadas como garantia por devedores em dificuldades, como Michael Banks.
 
A missão de Mary, mais uma vez, será preservar as crianças de todo este imbróglio – embora seja de se esperar que dará uma mãozinha aos irmãos Banks. Emily Blunt compõe uma Mary ligeiramente mais misteriosa do que Julie Andrews, mas de comportamento tão enigmático quanto, ao equilibrar seu comportamento em doses equivalentes de pragmatismo e magia.
 
Esta Mary que, milagrosamente, não envelheceu um dia em todos estes anos, parece também mais dada a brincadeiras – como quando transforma a obrigação do banho das crianças numa movimentada aventura subaquática, uma das sequências visualmente mais belas do filme.
 
A difícil tarefa de “substituir” Dick van Dyke coube ao norte-americano Lin-Manuel Miranda, o atual mago dos musicais da Broadway, criador de espetáculos como Hamilton, além de compositor das canções originais da animação Moana – um mar de aventuras. Miranda consegue criar um outro tipo bastante agradável, como van Dyke, transformando-se em Jack, um acendedor de lampiões que flerta com Jane e é o par musical de Mary. Miranda e Emily brilham em sequências como de um music hall. Outros números, juntando diversos acendedores dançando em torno de seus lampiões, é uma óbvia e brilhante homenagem a Gene Kelly, dispensando a chuva. Estes homens igualmente protagonizam a eletrizante sequência da escalada ao Big Ben.
 
Outra sequência luminosa é realizada em animação, quando Mary, Jack e as crianças entram dentro do desenho de uma tigela deixada por sua mãe e que se partiu. Na função deste conserto entra também uma prima de Mary, Topsy, interpretada por uma Meryl Streep mais uma vez brincando com um sotaque, como ela sabe tão bem fazer.
Dirigido por Rob Marshall, diretor dos filmes musicais Chicago e Nine, O Retorno de Mary Poppins é bem-sucedido em sua articulação entre uma nostalgia poética e uma sensibilidade antenada com os dilemas de seus heróis proletários, no caso, a própria babá, os acendedores de lampiões, o bancário e a militante sindical.
 
Contrabalançando um contexto sombrio, a cada fresta é semeada uma oportunidade de invenção. Haja o que houver, o vento vai mudar – este sempre foi o lema de Mary Poppins. E a noção que ela carrega de que nada na vida é impossível remete à ideia de que a possibilidade é algo que se cria também – especialmente através da imaginação.

Neusa Barbosa


Trailer


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