A esposa

Ficha técnica


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Sinopse

Joan Castleman é, há décadas, a esposa dedicada e perfeita do escritor, Joe Castleman. Ele acaba de vencer o Nobel e juntos eles partem para Estocolmo. Lá, ela é confrontada por um jornalista ávido, que quer escrever a biografia de Joe e remexe em segredos de seu passado.


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Crítica Cineweb

28/11/2018

A interpretação magnífica de Glenn Close – premiada com o Globo de Ouro e indicada ao Oscar – é a grande razão para assistir a este drama dirigido pelo sueco Björn Runge, numa adaptação de romance homônimo de Meg Wolitzer.
 
Há grandes questões no centro da história, envolvendo gênero, família e ética, e uma intérprete qualificada como Close agarra com unhas e dentes a oportunidade de explorar as muitas nuances de uma personagem maiúscula. Ela é Joan Castleman, esposa atenta e dedicada de um escritor de sucesso, Joe Castleman (Jonathan Pryce), que vive a tensão da espera de um Nobel de Literatura.
 
Quando o telefonema anunciando o prêmio finalmente chega, Joan coloca, mais uma vez, em funcionamento todos os mecanismos de apoio ao marido, manifestando sua perfeição de parceira fiel. Nada em suas atitudes, no entanto, sugere submissão, muito pelo contrário. Cada um de seus atos antecipa as necessidades de cada situação, preenchendo todos os vazios para que Joe ocupe confortavelmente seu lugar de grande escritor no mundo.
 
A viagem a Estocolmo, para recepção do prêmio, tira o casal da zona de segurança. Já no avião, a redoma dos dois é rompida pela insistência de um jornalista, Nathaniel Bone (Christian Slater), ansioso para escrever a biografia de Joe. Repelido educadamente por Joan, ele continuará na cola dos dois em Estocolmo, como um predador no encalço da presa – que, no caso, é Joan. Ele é, no entanto, apenas o agente para o desmonte de um mundo solidamente construído entre os Castleman, sustentado numa grande, intolerável mentira.
 
Flashbacks infiltram-se para retratar como se formou esta dupla anos atrás, quando Joan (Annie Starke), era uma jovem aluna de um professor já começando a brilhar, Joe (Harry Lloyd). Ela mesma escrevia, sonhando com uma carreira literária, que circunstâncias de sua época pouco a pouco foram-na levando a colocar de lado, além de cuidar dos dois filhos.
 
Na pele de Glenn Close, Joan torna-se uma personagem densa e não raro contraditória, cuja segurança aparentemente inabalável encobre grandes conflitos, renúncias e um auto-apagamento muito frequente na vida das mulheres. A inteligência e sensibilidade desta construção permitem que se enxergue os muitos lados de uma personalidade complexa e jamais digna de piedade – como ela declara numa discussão com o marido. Ao mesmo tempo que emerge a consistência de Joan, Joe vai-se apequenando, numa oscilação nada simples mas conseguida por dois intérpretes bastante afinados. A construção de Joe é, afinal, paradigmática do processo tradicional da formação do ego masculino no Ocidente, onde as expectativas de sucesso profissional são distribuídas desigualmente entre os sexos.
 
Apesar desses acertos, a direção de Runge não escapa de algumas derrapadas. Nem sempre a admirável contenção e precisão das interpretações de Close e Pryce é mantida em cenas que envolvem os demais personagens, como o filho dos dois, David (Max Irons) e uma jovem assessora em Estocolmo, Linnea (Karin Franz Körlof). Neste entorno do casal, o filme sofre, às vezes, uma assustadora queda de tom, num flerte com um emocionalismo clichê. Mas La Close paira absoluta, até o fim, compondo uma das personagens femininas mais consistentes do ano que apenas se inicia.

Neusa Barbosa


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