O ódio que você semeia

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Locais de filmagem


Sinopse

Starr Carter é uma adolescente afrom-americana que mora num bairro negro e de baixa renda, Garden Heights, mas estuda numa escola particular em bairro branco. Dividida entre os dois mundos, ela assiste à morte de um amigo pela polícia e terá que decidir se vai ou não depor contra o responsável.


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Crítica Cineweb

28/11/2018

Inspirado numa famosa frase do falecido rapper Tupac Shakur (1971-1996), O Ódio que Você Semeia tornou-se o título de um best-seller de Audrey Wells, adaptado para o cinema por George Tillman Jr., numa típica história sobre os efeitos do racismo e da violência policial sobre comunidades afro-americanas.
 
Roteirizado pela própria Audrey Wells, ao lado de Angie Thomas, o filme explora os dilemas de sua protagonista, a adolescente Starr Carter (Amanda Stenberg). Filha do meio de uma família moradora de Garden Heights, bairro de maioria negra e de baixa renda, ela vive dividida entre dois mundos, já que a mãe, Lisa (Regina Hall), decidiu matriculá-la numa escola particular de ensino médio num bairro mais rico e de maioria branca, a Williamson Prep.
 
Isto não significa negar a consciência negra, pelo contrário. Tanto Lisa quanto o marido, Maverick (Russell Hornsby), instruíram os filhos – que incluem o mais velho, Seven (Lamar Johnson), e o caçula Sekani (TJ Wright) – a ter orgulho de sua condição. Prova disso está na memória infantil de Starr, que recorda os ensinamentos paternos para sobrevivência nas ruas e o estudo dos Dez Pontos do programa dos Panteras Negras, que todas as crianças da casa têm que decorar.
 
Ainda assim, foi a violência de tiroteios do próprio bairro onde moram e em que Maverick tem um comércio que motivou a mãe a mandar a filha para a escola do bairro branco. Ali dentro, Starr comporta-se de outro jeito do que em casa, assumindo uma linguagem corporal e vocabulário que lhe permitam, tanto quanto possível, passar despercebida neste meio diferente, correspondendo ao desejo inato de qualquer adolescente de pertencer a um grupo. Ela até tem um namorado branco, Chris (K.J. Apa), mas o esconde da família, temendo oposição do pai.
 
Este frágil equilíbrio entra em pane quando Khalil (Algee Smith), amigo de Starr que lhe dava carona numa noite, é morto num incidente com a polícia – que confundiu uma escova que ele tinha na mão com uma arma. Ao tornar-se a única testemunha da morte, Starr é confrontada com um desafio ético: ela deve ou não depor contra o policial que atirou? É uma decisão dura para alguém tão jovem e também perigosa, já que o caso despertou o interesse tanto do chefão criminoso de Garden Heights, King (Anthony Mackie), quanto mobilizou o espírito de corpo dos policiais.
 
De várias maneiras, o filme torna-se emblemático e significativo para as questões raciais da atualidade, pontuadas pelo movimento Black Lives Matter. Exatamente por essa preocupação em ter uma relevância de discurso antenado com o presente, perdem-se algumas oportunidades de aprofundamento de perfis e personagens. O núcleo que envolve o namorado Chris, por exemplo, é bem menos desenvolvido do que poderia, por isso, torna-se menos crível. Além disso, alguns personagens secundários (como a mãe biológica de Seven) não adicionam nada à trama, desperdiçando um pouco da inegável energia da história.
 
É bem consistente, no entanto, a família central, os Carter, empunhando o feixe de problemas e escolhas de um clã afro-americano de classe média numa grande cidade dos EUA hoje. O valor desse detalhe, além do carisma da protagonista Starr, garantem com folga o interesse do filme.

Neusa Barbosa


Trailer


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