Raiva

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País


Sinopse

Anos enfrentando opressão e pobreza transformam Palma num homem cheio de rancor, até o ponto que não aguenta mais e resolve que é hora de revidar.


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Crítica Cineweb

28/11/2018

Uma frase ressoa como um refrão ao longo de Raiva, de Sérgio Tréfaut, adaptado pelo diretor a partir do romance Seara do Vento, do português Manuel da Fonseca: “Os pobres morrem pobres, os ricos morrem ricos”. Esta surge como uma verdade absoluta a ser desafiada pelo protagonista, Palma (Hugo Bentes), no sul de Portugal dos anos de 1950 – que poderia ser qualquer país com profundas desigualdades sociais, em qualquer momento da História, em que famílias podres de ricas se mantêm no poder às custas de muita exploração.
 
Palma, um homem que vive com a mulher, Julia (Leonor Silveira), a mãe dela (Isabel Ruth), uma filha adolescente (Rita Cabaço) e o filho pequeno (Kaio César), acumula tanta raiva e revolta que o filme começa com ele dando o troco. A violência que abre o longa vai, aos poucos, sendo explicada numa montagem assinada pela brasileira Karen Harley (Zama, Que horas ela volta?), na qual o começo e o final se encontram. É uma opção arriscada, mas que a construção da narrativa justifica.
 
A outra família é a rica, com nome e sobrenome, os Sobral. Frequentam a igreja regularmente, as mulheres usam véus e os homens fazem e desfazem negócios no bar. Como a oligarquia que são, conseguem safar-se de suas falcatruas e ainda jogar a culpa em Palma.
 
A fotografia de Acácio de Almeida (Colo) evoca tanto Bela Tarr quanto Pedro Costa, duas referências que também aparecem no minimalismo silencioso e contido de Tréfaut. Mas o diretor não é mero emulador, ele cria sua estética da dor e da opressão com intensidade. Cantos populares – como aquele que comenta o destino do rico e do pobre – aparecem de tempos em tempos, como um coro grego pontuando a narrativa. Raiva é um filme exigente, mas que tem algo a oferecer em troca da sua demanda.
 
Não há espaço para sentimentalismos aqui, embora os personagens vivam à flor da pele. É como se fossem, ao longo de suas vidas, destituídos de tudo – talvez até de sua humanidade em certo sentido –, e a luta de classes (às vezes literal) os tenha transformado em lobos uns dos outros. É um mundo sórdido e árido em busca de um respiro que possivelmente nunca virá – assim como o filme, denso em seu retrato da opressão 

Alysson Oliveira


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