Utøya - 22 de julho

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Julho de 2011, Noruega. A notícia de uma explosão em Oslo perturba dezenas de adolescentes que se encontram na ilha de Utoya, ali perto, num acampamento de verão. Pouco depois, estes jovens terão que correr por sua vida, fugindo de um misterioso atirador, que está atirando a esmo, matando e ferindo vários deles.


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Crítica Cineweb

21/11/2018

Utoya – 22 de Julho, do diretor norueguês Erik Poppe, recria, com o maior realismo possível e colocando o espectador no centro, a maior tragédia ocorrida naquele país desde a II Guerra Mundial – o massacre de 77 pessoas, além de 99 feridos, praticado pelo fundamentalista cristão e antiislâmico Anders Breivik, em julho de 2011.
 
O desejo de autenticidade é visível desde as primeiras sequências, que usam imagens reais, captadas por câmeras de segurança, da explosão de uma caminhonete-bomba ao lado de um edifício público em Oslo, obra do mesmo Breivik, antes de dirigir-se, armado com uma pistola, um rifle automático e farta munição, à vizinha ilha de Utoya. Lá, naquele momento, realizava-se um acampamento de verão com adolescentes da Juventude Trabalhista, que se tornaram seus alvos.
 
Usando câmera na mão, circula-se entre estes jovens e suas barracas, pouco antes da chegada do atirador, compartilhando um cotidiano que se apresentava ameno. Os primeiros sinais de inquietação surgem quando chegam notícias da explosão na capital. Logo mais, o som de tiros, disparados pelo atirador sem rosto, que usa uniforme policial, tornará o sentimento geral puro pânico.
 
Recorre-se ao mecanismo de eleger uma jovem, Kaja (Andrea Berntzen), o centro nervoso da situação, uma espécie de guia no inferno. É pelos olhos dela que se acompanha o terror que leva jovens a correr e fugir de um lado para outro, entre a floresta e o lago, sem ter como esconder-se ou escapar de um inimigo desconhecido e letal.
 
Kaja tem uma preocupação a mais do que a própria preservação: discutiu há pouco com a irmã mais nova, Emilie (Elli Rhiannon Müller Osbourne), e esta desapareceu. Por isso, Kaja se arrisca a deslocar-se de um lado para o outro da ilha, às vezes sozinha, às vezes acompanhada de outros na mesma situação.
 
A escolha de nunca mostrar o assassino de perto ou nomeá-lo – quem estava ali sequer sabia se era apenas um ou mais - faz parte da mesma estratégia de materializar o clima dos intermináveis 72 minutos que durou este apavorante tiroteio na ilha, antes que policiais conseguissem chegar e resgatar os sobreviventes.
O filme reproduz com bastante intensidade a experiência coletiva, levando Kaja ao encontro de jovens mortos ou feridos, retratando o crescente desespero da situação.
 
Em alguns momentos, pode-se lembrar de filmes que igualmente reproduziram experiências radicais de risco de morte num espaço confinado – caso de Elefante, de Gus Van Sant, ou Voo United 93, de Paul Greengrass. Há a mesma sensação de perigo iminente e de falta de opções. Mas, no caso do filme de Poppe – diretor do drama Mil Vezes Boa Noite, com Juliette Binoche -, há uma particularização da figura de Kaja, por mais que ela interaja com outros. Este centro nervoso tão frágil aumenta o sentimento de que ninguém está a salvo diante deste perigo sem rosto e sem nome, um pesadelo a céu aberto.

Neusa Barbosa


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