Sequestro relâmpago

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Isabel sai do trabalho e vai tomar cerveja com amigos. Quando sai sozinha, rumo à casa do namorado, é rendida por um rapaz, Matheus. No carro dela, junta-se a eles outro sequestrador, "Japonês". Eles querem chegar rapidamente a um caixa eletrônico ainda aberto, mas incidentes complicam a situação, aumentando os perigos.


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Crítica Cineweb

14/11/2018

A diretora Tata Amaral se arrisca pelo território do suspense, gênero pouco explorado pelo cinema nacional, compondo em Sequestro relâmpago um filme que se concentra no tempo e no espaço – uma única noite, na cidade de São Paulo – em torno de três figuras diferentes: a vítima, Isabel (Marina Ruy Barbosa), Matheus (Sidney Santiago Kuanza) e “Japonês” (Daniel Rocha), dois sequestradores que não se conheciam e apenas se juntaram para o golpe.
 
Cineasta urbana por excelência, Tata sabe tomar o pulso de uma situação como esta, tipicamente brasileira, mas não se limita a criar tensão com foco policial – ainda que ele também exista. Num roteiro assinado por ela, ao lado de Marton Olympio e Henrique Pinto, há lugar também para situar conflitos de classe, sem pretender com isso esvaziar o aspecto criminoso da questão. É um equilíbrio difícil, mas não se esperaria outra coisa que uma ambição maior da diretora que estreou justamente com um longa retratando uma situação de sequestro, o impactante Um Céu de Estrelas (1996).
 
Surpreendida na saída de um bar, Isabel é obrigada pelos sequestradores a fazer a habitual rota em direção ao caixa eletrônico mais próximo, antes que vença o horário das 22h limitando o valor dos saques. Retida por um deles no próprio carro, Isabel tenta, sem sucesso, atrair a atenção do segurança de um estacionamento de shopping – que tem uma reação calcada no machismo. Evidentemente em desvantagem, Isabel tentará, em outros momentos da longa noite, alterar a balança de poder que oscila dentro de seu carro, ainda mais que a hostilidade entre Matheus e Japonês lança faíscas permanentes.
 
O desafio, neste tipo de filme, é manter a história rolando dentro de sua duração, criando novos incidentes e alterando as expectativas. Assim, temos a frustração do saque pretendido; a decisão de manter a moça prisioneira até a manhã; algumas paradas no caminho pela cidade, como numa garagem clandestina e num bar de periferia. Todos esses incidentes têm igualmente a intenção de mostrar recantos da cidade que gente como Isabel (e a maioria da plateia), em geral, nunca vê.
 
As conversas do trio apostam no confronto entre visões de mundo compatíveis com as diferenças de classe. Neste sentido, a tentativa de Isabel de convencê-los de que não é tão elite assim, já que 1% do mundo é que detém realmente a maior fatia da riqueza, é quase risível – ainda que seja verdade, tudo aqui é uma questão de escala. Por isso, o choque entre esses mundos, o dela e o deles, é mantido aceso e fervendo ao longo do filme.
 
Apesar de eventuais quebras de ritmo, Sequestro relâmpago dá conta de manter uma atmosfera de medo e tensão, administrando o componente do risco de violência, inclusive sexual, de uma maneira segura e muito compatível com a visão de uma diretora, ou seja, nada complacente nem voyeur. Cineasta habilidosa, Tata consegue injetar inclusive algum humor, como quando o trio canta junto Rap é Compromisso, de Sabotage – um discreto lembrete de que os planetas da favela e o dos Jardins eventualmente se tocam.

Neusa Barbosa


Trailer


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