Rasga coração

Ficha técnica


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Sinopse

Militante das causas da Anistia e das Diretas Já na juventude, Manguari Pistolão tornou-se um funcionário público acomodado à rotina, ao lado de Nena, sua mulher desde sempre. Quando o filho adolescente, Luca, começa a rebelar-se contra a autoridade escolar para usar saia e unhas pintadas, Manguari redescobre o sentido da própria rebeldia- mas também as diferenças de geração.


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Crítica Cineweb

14/11/2018

Última peça do dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho, Rasga Coração ganha uma versão cinematográfica assinada por Jorge Furtado, que atualiza os detalhes mas não perde de vista o essencial, já presente na obra visceral de Vianninha, um cometa que brilhou intenso nos seus escassos 38 anos de vida.
 
Como acontece aos clássicos, este relato sobre a renovação das utopias a cada geração é sempre atual, em cada época a que se recorra a ele – e o diretor Furtado é o primeiro a reconhecer que a maioria das cenas vistas no filme estavam já na peça, com a exceção de uma, bem como a maioria dos diálogos.
 
Trava-se, assim, o choque entre Manguari Pistolão (Marco Ricca) e o filho Luca (Chay Suede). O primeiro, um funcionário público que aplica o rigor que, na juventude, lhe serviu para militar em causas como a Anistia e as Diretas Já, para empenhar-se agora em relatórios denunciando o profundo abandono da Educação no país. De seu lado, o filho, adolescente de 17 anos, empenha-se em causas como a alimentação vegana e o direito de usar saia, olhos e unhas pintadas, recusando-se a usar o uniforme da escola.
 
As mulheres entram na história através de Nena (Drica Moraes), mulher de Manguari e mãe de Luca, que na maturidade cedeu ao desânimo a inquietude da juventude, e Mil (Luísa Arraes), namorada de Luca, que enfrenta a padronização da escola envergando um figurino masculino.
 
Transpondo habilmente para o cinema o cerne da peça, Furtado retrata a repetição reinventada do destino do pai no filho, recorrendo aos flashbacks em que o jovem Manguari (João Pedro Zappa) enfrenta o próprio pai e encontra apoio no irreverente Bundinha (George Sauma). Bundinha, ao lado de Camargo (Anderson Vieira), este um outro estudante militante, são os dois fantasmas a assombrar Custódio, simbolizando suas escolhas e culpas.
 
Reiterando também uma marca de Vianninha, que ele compartilha como poucos, Furtado assinala estas trajetórias com afeto e humor tipicamente brasileiros. Por mais que sejam universais tantas questões desta poderosa história, a maneira como se desenrolam obedece ao modo como o País lida com todas elas, numa História marcada por tantas rupturas democráticas e lutas libertárias na mesma medida.
 
Um traço nitidamente furtadiano é instalar a questão da negritude na história, através do personagem de Camargo e, depois, de Talita (Cinândrea Guterres), o que amplia e completa o panorama já bastante vasto criado por Vianninha. Este diálogo matizado entre as intenções do dramaturgo e dos roteiristas Furtado, Ana Luiza Azevedo e Vicente Moreno sustenta um filme poderoso sobre a classe média brasileira e os impasses políticos de sempre no Brasil, sem perder jamais a ternura e o humanismo que também são parte de nós.

Neusa Barbosa


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