Sueño Florianópolis

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Locais de filmagem


Sinopse

Lucrecia e Pedro são dois argentinos que estão separados mas, tentando reatar o casamento, viajam a Florianópolis na companhia dos filhos adolescentes. Chegando ao Brasil, a vida dela se transforma, especialmente depois que se aproxima de Marco, o dono da casa que alugaram.


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Crítica Cineweb

08/11/2018

A grosso modo, Sueño Florianópolis é a versão argentina de Os farofeiros – ainda que de uma maneira bem mais à moda do cinema argentino. Ou seja, os dramas de uma classe média, cada vez mais enfraquecida, estão no centro do filme, dirigido pela argentina Ana Katz (Minha amiga do parque), com roteiro assinado por ela e Daniel Katz. Em outras palavras, trata-se de uma versão de bom gosto e substância da comédia brasileira.
 
O momento são os anos de 1990, quando uma horda de argentinos pegam a estrada rumo a Florianópolis. Como o casal Lucrecia (Mercedes Morán) e Pedro (Gustavo Garzón) que, com os filhos adolescentes, Julián (Joaquín Garzón) e Flor (Manuela Martinez), fazem o périplo, em seu antigo Renault, que dá sinais de cansaço já na estrada quando a gasolina acaba. A narrativa se constrói como uma jornada em que nada parece acontecer, mas esse nada é o tudo que resignifica a vida das personagens.
 
Lucrecia e Pedro já não estão mais juntos – moram em casas separadas, e o casamento pode (ou não) ter acabado, é algo ainda a se resolver. No Brasil, tudo começa errado para eles (a casa que alugaram é péssima), e quem os salva é Marco (Marco Ricca), a quem conheceram na estrada e que aluga casas por temporadas. Não bastasse isso, ele está o tempo todo por perto – sempre em roupa de banho, o que lhe rende o apelido debochado de "Sunga", que Pedro começa a usar quando o brasileiro parece estar sempre ao lado deles, sempre em trajes mínimos.
 
O filme é narrado do ponto de vista dos argentinos – em especial de Lucrecia – por isso, pouco sabemos dos brasileiros. O que aparecem são elementos aqui e ali que a ajudam a compor o seu olhar sobre as pessoas e o país. Todos acabam ganhando uma tinta um tanto exótica – seja na generosidade excessiva de Marco (ele cede sua casa para eles e fica na outra ao lado), ou na simpatia de Larissa (Andrea Beltrão, como sempre, uma presença iluminada), ex-mulher (às vezes, ex-ex-mulher) de Marco.
 
Os Katz, em seu roteiro, têm, claramente, um carinho especial pelas personagem, o que não impede que essas figuras (especialmente as argentinas) cometam erros. São erros e acertos, especialmente no que tange à diferença de culturas, que os farão evoluir, voltando para casa como outras pessoas. Surge uma empatia muito grande entre Lucrecia e Marco, apesar das diferentes visões de mundo, casamento e da língua. Pedro também se envolve com Larissa, mas felizmente o filme evita se tornar uma farsa sobre troca de casais.
 
O interesse da diretora está, claramente, na miniatura de mundo que esse quarteto pode representar. Seu filme anterior, Minha amiga do parque, era interessante, mas talvez não dava ideia do que Katz seria capaz: sem pensar em lançar teses sobre situações e pessoas. A cineasta aqui está mais livre e leve. A fotografia de Gustavo Biazzi (Paulina) deixa que o sol banhe os personagens e os mostre como realmente são. É um filme sobre dilemas da classe média, feito de uma maneira intimista como só os argentinos parecem saber fazer – embora os brasileiros estejam aprendendo, vide Benzinho, por exemplo.
 
O elenco todo é muito bem escolhido, com interpretações, inspiradas, mas é, claro, Mercedes Morán é quem se destaca – o filme é sobre ela e, no fundo, dela. Premiada no Festival Internacional de Karlovy Vary (no qual o longa também levou o Prêmio Especial do Júri e o da crítica internacional), a atriz constrói uma Lucrecia que muito observa, mais reage do que age e, quando parece que vai se deixar levar pelas situações, toma as rédeas de sua vida. É uma composição complexa e repleta de nuances que não é qualquer atriz ou ator que consegue fazer tão bem. Ajuda, claro, que tenha ao seu redor um elenco competente. 

Alysson Oliveira


Trailer


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