Pai e Filha

Pai e Filha

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Sinopse

Primeira produção do pós-guerra com a colaboração entre Ozu e o roteirista Kogo Noda, parceria destinada a se estender por todos os filmes seguintes. "Pai e Filha" se torna o protótipo perfeito das obras de Ozu dos anos 50 e 60, cristalizando normas formais e temáticas. Ozu e Noda conferem autonomia a cada uma das cenas e desenvolvem os personagens de tal modo que eles parecem independentes do enredo ou de uma concepção geral. Era um dos filmes favoritos do próprio Ozu.


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Crtica Cineweb

11/04/2003

O que procurar no cinema do japonês Yasujirô Ozu se não suas miniaturas? São vidas esmiuçadas da burguesia nipônica por um prisma que investiga cada uma delas como uma pequena peça de porcelana. O que não quer dizer que sejam vidas pequenas, por assim dizer, mas são vidas comuns sem qualquer glamour, de gente normal, fazendo coisas normais. A graça está exatamente nisso, em colocar no centro do palco essas pessoas e seu cotidiano. O diretor tem um filme chamado A rotina tem seu encanto, e esse poderia ser o título de qualquer outro trabalho dele.
 
Não foi criado pelos japoneses, mas pelos acadêmicos ocidentais, o termo Shomin-geki, que se refere a filmes, peças de teatro e livros que têm como tema o cotidiano de pessoas comuns. Há uma diferença grande entre a dinâmica familiar no Japão antes e depois da Segunda Guerra, e Pai e Filha é o primeiro grande longa do diretor depois do conflito. Mais do que o choque entre gerações propriamente dito, o tema aqui é algo que poderia se chamar de sentimento de culpa de gerações. Noriko (Setsuko Hara, que interpretaria mais outras duas Norikos nos próximos filmes do cineasta) tem 27 anos, é solteira, e vive com o pai viúvo, Shukichi Somiya (Chishû Ryû), de quem cuida. Todos ao redor querem que ela se case, mas a moça prefere cuidar do pai.
 
O embate central é entre o tradicional e o moderno – a insistência da necessidade de um marido para Noriko, que, por sua vez, quer ser uma mulher independente. De um lado, a insegurança de uma geração que caminha para seu fim, de outro a coragem (ou seria imprudência?) dos mais jovens num mundo que precisa ser reconstruído. Mas qual é o preço do progresso? A perda da identidade? A ocidentalização do país?
 
Uma das sequências mais fortes do filme se dá numa apresentação de teatro nô, quando sentimentos que estavam em ebulição em Noriko eclodem. Não pode haver nada mais tradicional do que esse tipo de performance no Japão, e é isso que serve como catalizador para a protagonista, que diante do passado simbólico de seu país dá-se conta das possibilidades e impossibilidades de seu próprio futuro, além de acentuar as diferentes visões de mundo dela e de seu pai, cuja reação na cena é bem diferente da dela.
 
É em momentos como esse que o cinema de Ozu é gigante, pela sua simplicidade, sua capacidade de fazer um retrato do mundo diante de uma miniatura. Suas interpretações das dinâmicas sociais de uma família jamais perdem o vigor ou envelhecem, pois ele diz exatamente o que é ser humano num dado momento da história, do qual alguns elementos se mantêm até hoje.

Alysson Oliveira


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