A garota na névoa

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Em Avechot, pacata cidade nos Alpes italianos, o desaparecimento de uma garota de 16 anos cria medo e suspeita. Chega à cidade um inspetor, Vogel, com experiência em casos difíceis mas igualmente uma tendência a valer-se demais do espetáculo criado pela mídia.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

05/11/2018

Nada mau um sotaque latino para embalar um suspense, como é o caso desta produção italiana, A Garota na Névoa – que marca a estreia na direção do roteirista e escritor Donato Carrisi, a partir de seu best-seller homônimo, que vendeu mais de 3 milhões de cópias pelo mundo.
 
Não faltam os ingredientes de um bom thriller, começando pela ambientação numa cidade isolada nos Alpes italianos, Avechot, de onde acaba de desaparecer uma adolescente de 16 anos, Mary Lou (Ekaterina Buscemi). Seu sumiço abala a tranquilidade de um local, onde boa parte da população frequenta uma fraternidade religiosa, incluindo a família da garota, os Kastner.
 
Tudo indica que a menina levava vida recolhida, de casa para a escola, da escola para a fraternidade, sem vícios nem desvios de comportamento. Mas precisamente este excesso de normalidade é que parece suspeito nesta história em que, como é praxe no gênero, as aparências são feitas para enganar.
 
Chegam à cidade para conduzir as investigações o inspetor Vogel (Toni Servillo) e seu assistente, Borghi (Lorenzo Richelmy), homens experientes em casos complicados que começam a sacudir a pasmaceira da polícia local fazendo um uso muito particular da mídia. Não é segredo para ninguém que Vogel é um tipo vaidoso, que adora holofotes e não se furta a tirar partido deles, como se depreende de sua peculiar relação com uma famosa e sensacionalista repórter de TV, Stella Honer (Galatea Ranzi).
 
Como grande ator que é, Servillo se apropria de um personagem ambíguo com propriedade, ora ocultando, ora expressando sinais de uma personalidade muito particular, bem longe dos heróis de seriados norte-americanos, com sua sede de verdade e justiça. A sede de Vogel é bem mais complexa de desvendar e esta é uma das qualidades deste noir spaghetti.
 
Para que se sustente a caçada, Vogel lança iscas à sua repórter ávida de notoriedade, enchendo a cidadezinha de repórteres alucinados por alguma novidade. Para manter este jogo, que pode ou não ser eficaz para chegar a um possível culpado por sequestro, o inspetor sabe que é preciso periodicamente dar carne a estes tubarões. Surgem, então, as suspeitas na direção de um professor de ensino médio, Loris Martini (Alessio Boni), que leciona na escola onde estuda Mary Lou.
 
Ao longo de suas duas horas de duração, o filme explora diversas pistas, como a presença de um estranho rapaz com mania de filmar, Mattia (Jacopo Olmo Antinori), um advogado espertalhão (Antonio Gerardi) e uma velha repórter policial (uma irreconhecível Greta Scacchi). Uma participação saborosa cabe ao veterano francês Jean Reno, na pele de um psiquiatra próximo da aposentadoria, introduzindo pitadas de ironia que aliviam momentaneamente a tensão deste conto policial bem sombrio.
 
Diretor de primeira viagem, premiado na categoria iniciante com o troféu David di Donatello, um dos mais importantes da Itália, Donato Carrisi se empolga para não deixar de fora vários nacos de sua história original, quebrando eventualmente o ritmo da ação com um pequeno excesso de volteios nas várias viradas da trama. Isto, no entanto, não chega a ser um grande defeito. É um filme bom de ver, mas que requer uma atenção aguçada do espectador.

Neusa Barbosa


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