Um Dia

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Anna é uma professora casada, mãe de três filhos. Além de um cotidiano sempre turbulento, pleno de solicitações das crianças, ela vive uma crise com o marido, Szabolcs - que ela acha estar tendo um caso com uma velha amiga, Gabi. Mas Anna resolve lutar contra tudo a seu modo.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

10/10/2018

A naturalidade do trabalho de câmera de Balász Domokos, quase documental em seu realismo e frenesi, é uma das primeiras características a captar a atenção em Um Dia, a promissora e muito segura estreia em longas da diretora húngara Zsófia Szilagyi. O filme teve sua première mundial na Semana da Crítica de Cannes 2018 e venceu neste festival um dos troféus da Fipresci (Federação Internacional dos Críticos de Cinema).
 
Esta naturalidade permite que os espectadores se coloquem na pele de Anna (Zsófia Szamosi), a atormentada protagonista deste drama familiar que a diretora, com muita razão, prefere classificar como “thriller matrimonial”.
Pode-se muito bem considerar Um Dia como uma jornada no inferno, ambientada na casa de uma família de classe média mergulhada num vendaval de dúvidas, dívidas e tensões sexuais. Além de tudo, o casal é confrontado com as inúmeras solicitações de seus três filhos, Simon (Ambrus Barcza), de 8 anos, Sári (Zorka Varga-Blasko), de 5, e o bebê Markó (Mark Gardos), que ainda mal pode andar e falar.
 
O incrível trabalho do editor de som Tamás Székely, amplificando cada ruído nesta casa turbulenta numa escala quase insuportável, obriga a compartilhar a tremenda pressão a que estão submetidos diariamente estes pais.
 
Um dos maiores méritos desta diretora jovem e inquestionavelmente talentosa é evidenciar a complexidade e as nuances deste drama aparentemente banal. Como se estivesse compondo uma versão renovada de Cenas de um Casamento, de Ingmar Bergman, desta vez com crianças no seu centro, o enredo enfatiza os dilemas de Anna, especialmente a suspeita de que seu marido, Szabolcs (Leo Furedi), está mantendo um caso com uma de suas velhas amigas, Gabi (Annamária Lang). Ultrapassando o tom de melodrama, a narrativa é impregnada de um toque de humor negro que nunca perde de vista a firme determinação de Anna de manter seu casamento e sua família.
 
É notável a precisão com que a personagem central é desenhada neste roteiro admiravelmente composto, de autoria da diretora e de Réka Mán-Várhagyi, consolidando uma abordagem nada paternalista da protagonista, que nunca é vitimizada, ainda que esteja evidentemente vulnerável em várias situações.
 
O equilíbrio dramático é mantido igualmente pela maneira como se delineia o perfil do marido. Suas expressões faciais retratam com a maior clareza a crise enfrentada pelo casamento, sem vilanizar um ou outro cônjuge. Uma das grandes virtudes do filme, aliás, é não promover nenhuma espécie de julgamento.
 
Talvez a maior façanha da diretora seja a maneira como ela controla o tempo através da narrativa, com tal eficácia que se pode lembrar de outros notáveis dramas sobre casais em crise, caso de A Separação e O Passado, ambos do cineasta iraniano Asghar Farhadi. Entretanto, neste filme húngaro, a protagonista feminina é quem ocupa o centro. É o seu ponto de vista que guia a ação, a câmera, a pulsação da história, ainda que a perspectiva feminina não ignore a do marido. 
 
Outra joia está na direção de atores, um feito considerável ainda mais tendo-se em conta o grau de dificuldade de contar com três crianças num set de filmagem. Por outro lado, é precisamente a presença das crianças em tantas cenas que injeta energia ao filme, com um toque de exasperação e ternura. Acima de tudo, Um Dia mostra quem é esta mulher, mãe, esposa e professora atormentada e amorosa. E, melhor ainda, conduz a plateia na sua jornada emocional sem recorrer a nenhuma manipulação maniqueísta para ganhar-lhe simpatia. Toda emoção parece genuína em Um Dia.

Neusa Barbosa


Trailer


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