Verão

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 1 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

No começo dos anos 1980, Leningrado pulsa sob a batida do rock local, que bebe nas fontes de inspiração ocidental e tem em Mayk Naumenko seu ídolo local. Logo se juntará a ele Viktor Tsoy, um novo compositor que ele apadrinha e que rivaliza também pelo amor de Natasha, mulher e musa de Mayk.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

05/10/2018

Filmado num belíssimo branco e preto (fotografia de Vladislav Opeliants), o novo filme de Kirill Serebrennikov reconstitui a cena roqueira da Leningrado dos anos 1980, liderada por Mayk Naumenko (Roman Bilyk), Viktor Tsoy (Teo Yoo) e sua turma.
 
Trinta e oito anos atrás, esses dois foram protagonistas de uma onda pop, que, apesar das restrições impostas pela chamada Cortina de Ferro, nutria-se na veia com as maiores influências do rock ocidental – Lou Reed, The Clash, Bob Dylan, T-Rex, Joy Division, Blondie, tudo valia. Nascido em 1955, Mayk era uma espécie de estrela do clube local, seguido por uma legião de fãs. Ao seu lado, sempre a mulher e musa Natasha (Irina Starshenbaum) – em cujas memórias, aliás, o filme é inspirado. E o próprio Mayk apadrinha o novato Viktor, mais lírico e seu admirador, e que termina compondo um triângulo amoroso (platônico?) com Natasha.
 
Muito bem-filmado, cheio de licenças poéticas – como os diversos momentos do “não aconteceu assim, mas poderia ter sido”, em clipes que incorporam diversos efeitos visuais, num trem, num ônibus, etc. -,Verão desenha diversos outros personagens secundários com personalidade, os amigos, parceiros, fãs, colaboradores dos roqueiros, o que contribui para compor uma espécie de retrato de geração – assim como fez, 18 anos atrás, o chinês Jia Zhang-ke em seu sublime Plataforma.  
 
Essa liberdade de reimaginar, visualmente, passagens de uma história calcada em fatos reais afasta o trabalho de Serebrennikov de uma proposta muito documental, sintonizando mais na liberdade sensorial, sensual, de atitude e pensamento que caracteriza a própria juventude. Antes de mais nada, Verão é sobre isso, sobre esse curto e intenso verão que é o estado de ser jovem, trazendo para as plateias fora da Rússia uma também aguda crítica à repressão e burocracia da era soviética. O que, certamente, cai sob medida para comentar a atual onda repressivo-conservadora que envenena o mundo todo.
 
Serebrennikov, aliás, é vítima disso. Preso sob uma disputada acusação de fraude financeira, o diretor não pôde ir a Cannes em maio último, onde seu filme teve première mundial na competição pela Palma de Ouro, apesar de pedidos expressos da direção do festival a Vladimir Putin. A resposta protocolar de Putin foi que “o judiciário russo é independente e ele não poderia interferir”. Seria cômico se não fosse trágico. Mas, afinal, a exacerbação do lawfare contra os inimigos políticos está longe de ser uma exclusividade russa.

Neusa Barbosa


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança