Os Palhaços

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Crítica Cineweb

14/01/2003

"Freud quer explicar quem somos, Jung abre as portas do inconsciente e deixa que descubramos sozinhos". A frase de Federico Fellini dá pistas preciosas sobre sua intenção ao filmar Os Palhaços (1970), filme inédito comercialmente no Brasil e produzido originalmente para a televisão italiana. Pela mão, como quem conduz uma criança, o diretor italiano leva o espectador através do mundo mágico do circo, passando por leões, atiradores de facas, faquires e palhaços. A divertida trilha sonora de Nino Rota embala esse universo onírico que se afasta da realidade para buscar abrigo em nossos corações.

Já de início, um garoto acompanha fascinado, pela janela do quarto, a montagem de um circo no terreno em frente a sua casa. No dia seguinte, enquanto assiste ao espetáculo, se assusta com os palhaços e deixa, aos prantos, a platéia. Aparentemente autobiográfica, essa seqüência ilustra o início de uma verdadeira obsessão do diretor pelo tema, confirmada em muitas de suas produções.

Mas é ao explicar o motivo do espanto do menino que Fellini começa a aproximar o mundo fantasioso do circo à realidade humana, personalizada em uma freira anã que fala sozinha, num homem bêbado cuja mulher o leva para casa num carrinho de mão ou mesmo na sra. Inês que sabe de cor todos os discurso de Mussolini.

A desculpa de Os Palhaços para essa busca do humano é uma produção documental cujo objeto de estudo são os clowns. O próprio Fellini lidera a trupe de atrapalhados profissionais que vagam pela Itália e pela França resgatanto um pouco da história do circo. O filme, entrecortado com depoimentos e espetáculos grandiosos, faz um divertido contraponto ao fundir a briga de palhaços no picadeiro com a discussão entre antigos clowns, num bar qualquer da Itália.

Toda a ambigüidade humana, em Os Palhaços, está representada pela figura de dois clowns, o branco e o augusto. O primeiro deles, é a imagem da elegância, da inteligência e do moralismo, o que o aproxima do indivíduo adulto. O augusto é seu oposto, atrapalhado, distraído e bagunceiro, algo como uma criança que se rebela diante do rigor imposto pelo branco. Mais uma vez, o diretor esclarece: "Freud é um branco, Jung um augusto".

O estudioso do assunto Tristan Remy defende que o clown está definitivamente morto. O filme encena, então, a morte do clown augusto. No discurso diante do "cadáver", é recitada uma lista de impropérios: em sua longa e deplorável existência, o augusto se dedicou a jogar baldes na cabeça dos outros, a distribuir beliscões e pontapés e por aí vai. No entanto, a belíssima cena final marca a união dos dois clowns, branco e augusto, simbolicamente representando o adulto e a criança que convivem lado a lado no ser humano.

Cineweb-20/12/2002

Luara Oliveira


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  • 30/03/2010 - 21h06 - Por aguinaldo Seu comentário foi um sucesso
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