A justiceira

Ficha técnica


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Sinopse

Riley North é uma mãe amorosa e dedicada que assiste ao assassinato de seu marido e filha por capangas do traficante mexicano Diego Garcia. Quando a justiça deixa escapar os culpados, ela some de circulação. Quando volta à cidade, transformou-se numa vingadora implacável e mortal.


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Crítica Cineweb

28/09/2018

Nada mais longe de empoderamento feminino do que a protagonista do policial de ação A Justiceira, estrelado por Jennifer Garner. A liberalidade com que sua personagem, a ex-dona de casa Riley North, distribui tiros, pancadas e semeia morte à sua volta, o centro de existência da história, é, finalmente, um fator de incômodo.
 
Aparentemente, o objetivo do filme do francês Pierre Morel (Busca Implacável) é alçar a atriz a um status de heroína de ação, e ela bem que se esforça para deixar de lado sua eterna face de mãe chorona (embora aqui ela tenha sólidos motivos para chorar). No entanto, a direção preguiçosa e o roteiro pífio de Chad St. John terminam dando à atriz não mais do que a discutível oportunidade de encarnar uma versão feminina do vingador insano interpretado por Charles Bronson em Desejo de Matar (1974).
 
Riley é uma mãe de família dedicada e amorosa que assiste seu marido (Jeff Hephner) e filha (Cailey Fleming) serem chacinados na sua frente pelo bando do traficante Diego Garcia (Moises Beltran). Depois de ver frustrado seu esforço para colocar na cadeia os assassinos pelas manobras de um advogado (Michael Mosley) e de um juiz (Jeff Harlan) corruptos, ela some de circulação por cinco anos. Quando reaparece, sua presença é percebida pelo número de cadáveres que começam a aparecer em Los Angeles – geralmente, de alguém ligado às mortes de sua família.
 
Chama a atenção não só que Riley mate os culpados – e seus associados – como recorra a  requintes de crueldade, o que sugere uma sociopatia galopante. Na verdade, ela não elimina só pessoas ligadas ao trauma de sua vida – no pedaço desolado da cidade onde ela se esconde, entre dezenas de sem-teto, ela se tornou um mortífero anjo da guarda, liquidando todos os que tentam fazer mal a algum daqueles moradores.
 
Como acontecia em Desejo de Matar, a ideologia justiceira por trás dessa pretensa heroína é muito questionável – por mais que se compreenda a extensão de sua dor e sua aparente disposição de só apagar malfeitores (ainda que o critério seja unicamente dela mesma). Assim, a sucessão de mortes e enfrentamentos é tamanha que leva a poder enxergar A Justiceira como uma espécie de videogame, com suas personagens esvaziadas de substância – até mesmo os policiais que entram na caçada. Dessa maneira, o filme flerta com uma perigosa apologia da vingança cega com as próprias mãos, parente próxima do fascismo, que não anda precisando de mais nenhum estímulo em nossos tempos sombrios.
 
Quem estiver a fim de um filme de ação que reflita empoderamento feminino, melhor ficar com a Imperatriz Furiosa de Charlize Theron em Mad Max – Estrada da Fúria (2015).

Neusa Barbosa


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