Minha filha

Ficha técnica


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Sinopse

Tina criou Vittoria desde bebê, como sua filha, depois que a mãe biológica, Angelica, não a quis. Quando a menina tem 10 anos, Angelica pede para conhecê-la, e isto deflagra a insegurança na vida das três.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

28/09/2018

Segundo longa da diretora italiana Laura Bispuri, que concorreu na competição principal em Berlim 2018, Minha Filha é um drama que enlaça várias nuances da identidade feminina. O roteiro, de Laura e Francesca Manieri, a partir das memórias da escritora A. M. Homes, retrata o dilema da menina Vittoria (Sara Casu), dividida entre sua mãe biológica, Angelica (Alba Rohrwacher), e aquela que a criou, Tina (Valeria Golino).
 
Ao colocar na tela as diferenças entre estas duas mulheres, o filme põe em xeque os valores da maternidade. Tina, afinal, foi quem criou a menina desde bebê, esmerando-se em cuidados, tomando para si a criança que Angelica não queria e lhe deu. Angelica, por sua vez, é uma soma de fragilidades, uma mulher que sobrevive de prostituição, cai no alcoolismo e vive numa casa semidestruída, que ela está prestes a perder por falta de pagamento. Ela sequer consegue cuidar de si mesma, muito menos teria como manter a filha.
 
A menina, por sua vez, ignorava sua origem até que Angelica, decidida a partir, pede a Tina para vê-la. Mesmo que não lhe digam a verdade, Vittoria é bastante inteligente para intuir o que está acontecendo. Voluntariosa, entrega-se à própria curiosidade para descobrir quem é, afinal, esta mulher tão diferente daquela a quem sempre chamou de mãe, que se torna quase uma companheira de estranhas aventuras.
 
O equilíbrio no tom da história está em não julgar Angelica. Descobre-se quem ela é pelos olhos de Vittoria, cuja proximidade desperta reações na mãe. Estas interações entre as duas, algumas ásperas, outras delicadas, se desenrolam com energia e ternura, sem qualquer pretensão de redimir Angelica, ou disfarçar suas contradições.
Tina, por outro lado, é contida, procurando controlar um enorme tumulto interior. Gradativamente, ela se vê privada da segurança de ter para si esta filha escolhida e muito amada pelo medo de perdê-la para a imprevisível mãe biológica. Por algum tempo, este duelo de personalidades, sustentado admiravelmente pelas duas excelentes atrizes, constitui o tecido dramático do filme. Sutilmente, Vittoria dirá a que veio e a pequena Sara Casu demonstra ser o terceiro elemento ideal deste grupo.
 
Numa história marcadamente feminina e que não idealiza demais as figuras de suas mulheres, a presença masculina é marginal. Mas o discreto Umberto (Michele Carboni), marido de Tina e pai de Vittoria, consegue marcar uma linha de masculinidade não-violenta, compreensiva. A brutalidade aqui fica a cargo de outros personagens masculinos, como Bruno, o dono de cavalos interpretado pelo veterano ator alemão Udo Kier.

Neusa Barbosa


Trailer


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