Uma noite de 12 anos

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 4 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Em 1973, começo da ditadura civil-militar no Uruguai, líderes Tupamaros já vencidos e presos são escolhidos para serem submetidos a um tratamento especialmente bárbaro. Ñato, Ruso e Pepe Mujica estão entre eles e sofrerão, por longos anos, torturas, fome e períodos em solitária, sendo mantidos longe das famílias por constantes transferências de prisão.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

21/09/2018

Terceiro longa do diretor uruguaio Álvaro Brechner, o drama Uma noite de 12 anos reproduz, com realismo intenso, o calvário de três líderes Tupamaros – entre eles, o ex-presidente José Mujica – num extenso período de prisão em solitária e torturas constantes, durante a ditadura civil-militar, entre 1973 e 1985.
 
Baseando-se na biografia Memórias del Calabozo, escrita a quatro mãos pelos outros dois companheiros de Mujica – Maurício Rosencof e Eleuterio Fernández Huidobro -, o filme lança o espectador na situação em que os guerrilheiros, já vencidos e aprisionados, são submetidos a um longo e truculento processo de desumanização. A filosofia por trás de seus algozes era: “Já que não podemos matá-los, vamos enlouquecê-los”.
 
O ano é 1973 quando Pepe Mujica (Antonio de la Torre), Mauricio ou Ruso (Chino Darín) e Eleuterio, ou Ñato (Alfonso Tort) são arrancados de suas celas, algemados, têm suas cabeças cobertas por capuzes, encharcados em gasolina e vão sendo espancados pelo caminho. Após alguns dias, tiram-lhes o capuz e as algemas, mas eles estão isolados, acorrentados e proibidos de falar, situação que dura por um ano. Além disso, passam fome e não têm acesso a meios de higiene.
 
Enquanto são levados de um lado a outro, frustrando os esforços de suas famílias para localizá-los, os três inventam estratégias para sobreviver. O filme cresce ao descolar-se de uma mera exposição desta série de crueldades – ordenadas especialmente por um comandante (César Troncoso) – para enfatizar a inusitada criatividade dos prisioneiros, em iniciativas como um jogo de xadrez através de batidas na parede, assim que descobrem estar um ao lado dos outros.
 
Num determinado momento, Pepe é separado dos outros. Enquanto isso, Ruso atrai a atenção de um de seus carcereiros, um sargento, que resolve usar seus dotes literários para escrever cartas a uma namorada, mantendo uma aliança que deve permanecer secreta, para o bem dos dois. Nem por isso Ruso e Ñato ficam a salvo dos constantes remanejamentos, o que os expõe aos caprichos de outros algozes de ocasião.
 
A situação de Pepe Mujica é a mais grave, pois seu isolamento se prolonga até que ele realmente começa a enlouquecer, ter delírios, assustando inclusive alguns captores. Quando finalmente lhe permitem uma visita da mãe (Mirella Pascual), ela é instrumental para deter este processo. Uma psicóloga (Soledad Villamil) é igualmente uma discreta contribuidora para que ele recupere a lucidez.
 
Por longos 12 anos, este trio permanece como refém do regime em seu momento mais fascista, sem qualquer limite contra aqueles que consideram inimigos – o que viola até as leis da guerra. Assim, o governo dribla esforços da comissão da Cruz Vermelha no sentido de confirmar denúncias de violações de direitos humanos, por toda sorte de manobras. A situação, finalmente, tem uma saída pela volta ao regime democrático, em 1985.
 
Cinematograficamente, resolve-se bem a ambientação destas prisões com o recurso a um realismo na medida – afinal, trata-se de evidenciar uma inegável crueldade -, concedendo aos personagens cenas que lhes permitem expressar um amplo espectro de emoções contraditórias. É particularmente bem-equacionada a cena de sua libertação, uma sequência que permite, melhor do que as outras, compreender a singular personalidade de Pepe Mujica.

Neusa Barbosa


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança