O retorno do herói

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País


Sinopse

Com pena de sua irmã cujo noivo foi para a guerra e nunca escreveu, Elisabeth forja cartas para a noiva abandonada, nas quais o próprio militar conta seus feitos heroicos. Mas, finalmente, ela leva a irmã a acreditar que ele morreu. Quando ele volta à cidade, ela tenta impedir que sua irmã se decepcione mais uma vez.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

10/09/2018

O retorno do herói parece uma adaptação francesa de um romance ruim de Jane Austen que ela nunca escreveria – porque uma página de sua obra contém mais sutileza e sagacidade que o filme inteiro. Mélanie Laurent (Bastardos Inglórios) faz o que pode com sua personagem, Elisabeth Beaugrand, uma espécie de feminista do século XIX, enfrentando um militar arrogante e golpista, o capitão Neuville, interpretado no piloto-automático pelo oscarizado Jean Dujardin.
 
Dirigido por Laurent Tirard (O pequeno Nicolau) – com roteiro escrito por ele e Grégoire Vigneron –, o longa é uma comédia de época com orçamento gordo (vide os figurinos e cenários), mas que ambiciona fazer um comentário sobre o nosso presente - incluem-se aí fake news e igualdade de gênero. Mas comédia francesa é uma espécie de produto peculiar, cujo humor parece funcionar mais nos países francófonos do que no restante do mundo, e o caso é claro aqui. Há tiradas de ponta a ponta, mas poucas funcionam.
 
O filme começa com o capitão Neuville pedindo a mão de Pauline (Noémie Merlant) em casamento, para alegria dela, dos pais (Evelyne Buyle e Christian Bujeau) e da irmã, Elisabeth. Mas mal ele conclui o pedido, é convocado para a guerra, prometendo escrever diariamente para a noiva. Ele não cumpre a promessa e a moça cai adoentada, a ponto de chegar perto da morte. Para ajudar na recuperação da irmã, a protagonista começa a inventar cartas do capitão, sempre adiando sua vinda.Até que resolve por um fim nisso e, após uma última mensagem, é dado como morto.
 
Pouca é a surpresa, dentro do filme, quando poucos anos depois ele volta e encontra Pauline casada e mãe de dois filhos. Alertado por Elisabeth sobre a farsa, ele entra no jogo dela e tenta tirar proveito da situação, embora ela faça de tudo para Neuville partir. Mas ele é um golpista e vai tentar tirar dinheiro dos conhecidos. Todos acabam se encantando por ele e suas histórias – Elisabeth lê para ele todas as cartas que escreveu para que ele possa criar um personagem coerente.
 
Dujardin tira o que pode do personagem carismático, mas já bastante usado no cinema. Ele consegue encontrar o que há de mais humano nessa figura que, por mais condenável que seja, está sofrendo dos traumas de uma guerra. E Laurent, cuja presença sempre ilumina a tela, é esforçada, mas Elisabeth é fina como uma folha de papel na qual escreveu as cartas. O mais curioso, no entanto, é a lição feminista que o filme tenta dar na sua reta final, com direito a uma fala clara sobre igualdade de gênero – mas, antes disso, por uma hora o que se viu foram personagens femininas sendo estapeadas e chutadas, para puro (suposto) efeito cômico. Por conta disso, querer se vender como a favor da causa feminina meio que destoa. 

Alysson Oliveira


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