Infiltrado na Klan

Ficha técnica


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Sinopse

Em meados dos anos 1970, o policial Ron Stallworth torna-se o primeiro afro-americano de um departamento em Colorado Springs. E também o autor de um sofisticado plano de infiltração na proscrita organização racista Ku Klux Klan, para o que vai precisar da ajuda de um colega branco, Flip, para flagrar os planos criminosos dos supremacistas brancos e antissemitas.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

27/08/2018

Spike Lee caiu como uma bomba criativa, no melhor sentido, na competição em Cannes 2018 – da qual saiu com o Grande Prêmio do Júri – com esta história extraordinária, incrivelmente inspirada em fatos reais e retratada com toda garra, estilo, contundência e engajamento pelo diretor de Faça a Coisa CertaMalcolm X e outros petardos.

Baseado no livro do policial Ron Stallworth, o enredo deflagra a incrível história do próprio, o primeiro tira afro-americano de um departamento em Colorado Springs que bolou, nos anos 1970, uma ousada infiltração em nada menos do que a proscrita, mas nunca extinta, Ku Klux Klan. Falando por telefone com sua seção local, Ron (John David Washington, filho de Denzel Washington) convence esse ninho do extremismo branco, de que odeia negros e judeus na mesma medida, portanto, de que ele é um deles – usando todo aquele vocabulário intolerante e odioso que faz a turma do capuz branco sentir-se em casa.
 
Evidentemente, Ron, um negro de cabelão afro, nunca poderia comparecer pessoalmente às reuniões do Klan para tornar-se um novo sócio. A saída é infiltrar um colega branco e que, por coincidência, é judeu, Flip (Adam Driver), outro grupo odiado pela Klan. Parece mentira mas aconteceu – a vida é sempre mais louca do que a ficção.
Em muitos sentidos, Infiltrado na Klan é uma declaração de guerra contra a América trumpista atual,
 
evidentemente um fruto de tudo aquilo que o filme retrata e que renasceu agora, numa versão ainda pior. Até alguns personagens são os mesmos, no caso, David Duke (Topher Grace), que era líder do Klan naqueles dias e continua por aí – não por acaso, elogiando Donald Trump (que também vai aparecer no final) e Jair Bolsonaro.
 
Lee está em grande forma aqui, compondo um filme que lança mão de tudo, imagens reais, antigas e recentes – como os conflitos de 2017 em Charlotteville -, uma participação de Alec Baldwin bem no começo, encarnando um político de extremíssima direita (ele que interpreta Trump no humorístico Saturday Night Live), trechos de filmes como O Nascimento de uma Nação e ...E o Vento Levou (para pertinentes comentários sobre o racismo).
 
Além disso, ao longo da narrativa, o diretor alterna suspense (muitas vezes você se pega com o coração na boca pelo perigo que correm os dois policiais infiltrados no ninho da serpente) e, curiosamente, bastante humor. Humor na medida certa, onde cabe. A mão de Lee está muito, muito boa aqui. 

Neusa Barbosa


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