Já vimos esse filme

Ficha técnica

  • Nome: Já vimos esse filme
  • Nome Original: Já vimos esse filme
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2018
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 78 min
  • Classificação: 10 anos
  • Direção: Boca Migotto
  • Elenco:

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Locais de filmagem


Sinopse

Documentário retrata o perfil dos parlamentares que votaram o impeachment da presidenta Dilma Roussef e entrevista diversas pessoas, entre professores, escritores, artistas, estudantes e outros cidadãos, pró e contra o impeachment, sobre o impacto deste acontecimento na sociedade brasileira.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

21/08/2018

Realizado ao longo dos dois últimos anos, o documentário de Boca Migotto fornece um denso e oportuno material de reflexão para avaliar as razões e as consequências da atual crise politica e institucional brasileira.
O marco inicial do filme é justamente a dramática votação da admissão do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, em 17 de abril de 2016 – talvez um dos mais dantescos espetáculos proporcionados pelo Congresso brasileiro em toda a sua história, do qual, felizmente, só são mostrados alguns trechos. Dói demais rever aquele circo, ainda mais diante de seus trágicos efeitos para a democracia e o País.
 
O documentário, como se frisa em determinado ponto – não que houvesse necessidade -, tem lado. Declaradamente contra o impeachment, no entanto, ele não nega voz a quem o apoiou, entrevistando diversos dos manifestantes de camisas verde-amarelas, que ocupavam no dia da votação parte das ruas de Porto Alegre e Brasília, os dois cenários do filme.
 
Opositores do impeachment também falam bastante, brotando deles diversas análises dando conta não só do impacto daquele acontecimento, que rompia a institucionalidade mantida desde a redemocratização pós-ditadura, em 1985, como de seu evidente parentesco com outros golpes da história nacional. Historiadores relacionam 1954, ano do suicídio de Getúlio Vargas, 1964, ano do golpe militar e 2016, ano do golpe contra a presidenta reeleita, sem armas, sem sangue e com aparência de normalidade jurídica.
 
Como apontam estes estudiosos, a interligação entre estas três datas vem da semelhança na sua fórmula de ruptura institucional, com a participação ativa da mídia, de parte da classe média, movida por um inconformismo com governos de centro-esquerda e suas reformas de interesse popular. Tudo isso tendo por trás um discurso anticorrupção a justificar as medidas de exceção.
 
A “novidade” neste golpe, como apontam o escritor Juremir Machado e o procurador Domingos Sávio de Oliveira, é a atuação do Judiciário. Motivado pelas chamadas “pedaladas fiscais”, no máximo, uma infração administrativa sem dolo e tolerada por décadas por todos os Tribunais de Contas do País, como destaca Sávio, o golpe de 2016 teve ativa participação do Ministério Público, do STF e outros tribunais, por ação ou omissão.
 
Nesta investigação de olho na história do Brasil – país que vive, como aponta a professora Jaqueline Moll, de “pequenos intervalos democráticos” –, apoiada na substância de várias entrevistas, está o grande valor deste documentário como ferramenta para repensar o enorme impasse em que estamos atolados e, o que é melhor, com nuances. Não faltam análises críticas dos erros da esquerda do poder – sem negar avanços alcançados, como a saída do país do mapa da fome e o progresso expressivo na mobilidade social, apontados pelo cientista político Benedito Tadeu César -, bem como os defeitos de nosso modelo eleitoral, assunto crucial na véspera de eleições gerais.
 
Uma das melhores entrevistas percorrendo o filme vem do montador Giba Assis Brasil, que observa que setores que avançaram na última década e meia não vão simplesmente conformar-se: com retrocessos em seus direitos: “Os negros não vão voltar para a senzala, as mulheres não vão voltar para a cozinha, os gays não vão voltar para o armário”. E, como homem do cinema, completa com uma precisa referência cinematográfica: “E a Jessica não vai sair da piscina”, lembrando a personagem vivida por Camila Nárdila no filme Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert. A moça era filha da empregada doméstica (Regina Casé) de uma família de classe média alta e escandalizava a própria mãe e os patrões ao entrar na piscina da casa, atitude que vira um símbolo da luta por mobilidade social que está no centro da trama. 

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 24/08/2018 - 21h55 - Por Gildo Araújo O balanço dos golpes sofridos pela esquerda entre 1964 e 1979 apontam para cerca de 20 mil pessoas submetidas a torturas físicas por motivos políticos; cerca de 50 mil pessoas com passagens pelas prisões também por motivos políticos; 320 militantes de esquerda mortos pelos órgãos repressivos, incluindo 144 dadas como "desaparecidas"; centenas de baleados em manifestações públicas, com uma parte incalculável de mortos; 8 mil acusados mais 11 indiciados em 800 processos judiciais por crimes contra a segurança nacional; centenas de condenações a penas de prisão; 4 condenações a pena de morte; 130 banidos do território nacional; milhares de exilados; 780 cassações de direitos políticos por dez anos.

    Fonte: Combate nas Trevas - A Esquerda Brasileira: Das ilusões perdidas à luta armada, de Jacob Gorender.

    Não há comparações entre os dois "filmes". Há apenas uma afronta a memória daqueles que verdadeiramente lutaram pela Democracia.
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