Histórias que nosso cinema (não) contava

Ficha técnica

  • Nome: Histórias que nosso cinema (não) contava
  • Nome Original: Histórias que nosso cinema (não) contava
  • Cor filmagem: Colorida e Preto e Branco
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2017
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 80 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Fernanda Pessoa
  • Elenco:

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Locais de filmagem


Sinopse

A partir dos trechos de diversas pornochanchadas dos anos 1970, a documentarista Fernanda Pessoa analisa como, na época da ditadura militar, vários desses filmes passavam disfarçadas mensagens políticas, discutindo também como era retratada a figura feminina e questões como o machismo.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

16/08/2018

Em Histórias que nosso cinema (não) contava, a diretora Fernanda Pessoa faz um trabalho de arqueóloga, de escavação do passado em busca de documentos históricos que joguem uma luz no presente. O objeto são as famosas pornochanchadas dos anos de 1970, produzidas em larga escala no Brasil da ditadura. Ao contrário do senso comum, conforme mostra o documentário, havia um teor político, às vezes, mais explícito do que o sexo.
 
O que acontecia é que a política ficava enterrada em meio a frases de duplo sentido, nudez (em sua grande parte feminina) e insinuações sexuais. O trabalho de Pessoa é destacar diversos diálogos e situações que escancaravam a situação social, econômica e política do Brasil que, dentro dos filmes, vinham tão escamoteadas a ponto de passar incólumes pelos censores.
 
Entre essas pérolas da cinematografia nacional está, por exemplo, A super fêmea, de 1973, dirigido por Anibal Massaini Neto. No filme, Vera Fischer, que interpreta, obviamente, a personagem-título é uma bela modelo contratada para divulgar uma pílula anticoncepcional masculina. Num dado momento, numa passeata na rua, vê-se numa faixa: “Povo feliz é povo desenvolvido” – uma ideia que Histórias que nosso cinema... contrasta com imagens (de outros filmes) de um povo infeliz e subdesenvolvido.
 
Outro exemplo é O enterro da cafetina, de 1971, de Alberto Pieralisi, a partir de um texto de Marcos Rey. Jece Valadão interpreta um amigo e cliente da cafetina que relembra sua trajetória. O filme toca em temas como subversão e censura. O tom cômico ajudava os filmes a passarem pela censura. Essa foi a quinta maior bilheteria de longa nacional em seu ano de estreia.
 
Pessoa e o montador Luiz Cruz organizam uma narrativa com pedaços de diversos filmes, criando um diálogo entre as obras que expõe com clareza o momento histórico em que os filmes foram produzidos. Exposição tão lúcida desse subtexto político das pornochanchadas serve também para combater o preconceito contra o gênero.

Alysson Oliveira


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