A vizinhança do tigre

A vizinhança do tigre

Ficha técnica

  • Nome: A vizinhança do tigre
  • Nome Original: A vizinhança do tigre
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2014
  • Gênero: Docudrama
  • Duração: 90 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Affonso Uchoa
  • Elenco: Aristides de Sousa

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País


Sinopse

Juninho, Neguinho e Menor são três rapazes moradores do Bairro Nacional, em Contagem (MG). Levando vidas precárias, à margem de escolaridade e trabalho regular, tem seus sonhos, mas estão o tempo todo cercados por seus limites e a perspectiva da criminalidade.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

16/08/2018

A sensação que se tem com a câmera deste filme, vencedor da Mostra de Tiradentes 2014, é de que ela é invisível. Os personagens Juninho, Neguinho, Menor, caminham diante dela com a espontaneidade de quem não está sendo visto nem acompanhado. Uma situação que é, afinal, uma metáfora desta juventude, invisível a olho nu para a maior parte do País.
 
Eles são muitos, mas são pobres. Moram em bairros populares, como o Nacional, em Contagem (MG), e fazem parte de uma extensa população de jovens à margem da escolaridade, do emprego regular, da moradia digna, da assistência médica constante, de todas essas coisas, enfim, que fazem parte de um horizonte existencial minimamente civilizado. Nessa situação de lumpesinato, de trabalhos precários e um flerte inevitável com a criminalidade, eles só saltam aos olhos da sociedade quando viram estatísticas.
 
No filme de Affonso Uchôa – que foi vizinho deles - no entanto, eles são tratados como pessoas. A confiança vem deste conhecimento de perto, que leva os personagens, este trio e mais alguns outros, a abrir um cotidiano que mistura realidade e ficção sem fronteira, escancarando até uma desnecessidade dela – afinal, o que não é verdade ali, na hora da captação da imagem, já foi ou será na vida de cada um deles.
 
Juninho, Neguinho e Menor conhecem de cor e salteado as ruas sem calçamento, as casas de construção precária, a desordem de um dia-a-dia que inclui pequenos serviços, o roubo de mexericas, disputas no rap, exibição de cicatrizes de bala, lutas com facas e espetos de churrasco, provocações mútuas constantes. Mesmo o que é brincadeira tem o sabor de uma violência que parece sempre em riste, represada e pronta para partir – esse é o tigre de cada um, que um eventual consumo de droga pode serenar, mas nunca aquieta de vez.
 
Os pais nunca são vistos; as mães, de vez em quando, porque trabalham, sustentando essa mínima estrutura social onde os rapazes se apoiam. Uma juventude, como todas, cheia de energia, mas que só parece encontrar saída para esses destinos claustrofóbicos, como as vielas do bairro, na bela sequência final em que os garotos ganham as ruas em seus skates, um raro momento de liberdade e respiro. Ao fundo, o som da gaita de Eldo, autor da trilha, um dos que não está mais entre nós.

Neusa Barbosa


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