Como fotografei os Yanomami

Ficha técnica

  • Nome: Como fotografei os Yanomami
  • Nome Original: Como fotografei os Yanomami
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2017
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 73 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Otavio Cury
  • Elenco:

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Locais de filmagem


Sinopse

Documentário visita comunidades Yanomami, em sua reserva, em Roraima, acompanhando o trabalho de agentes de saúde, alguns dos raros forasteiros ali permitidos. Alguns deles são indígenas e fazem a tradução e mediação entre as duas culturas.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

25/07/2018

A visibilidade/invisibilidade sempre foi uma questão essencial para os yanomami. Ao contrário de outros povos indígenas, eles permaneceram mais tempo desconhecidos dos brancos, sendo seu primeiro contato no começo do século XX. Eles também sempre se isolaram, inclusive, de outras etnias.
 
Hoje, são cerca de 25.000 yanomamis, divididos em 300 comunidades, numa terra, homologada em 1992, correspondente a 96 mil km2 de florestas, em Roraima, na fronteira com a Venezuela. Os agentes de saúde são alguns dos raros forasteiros que chegam ali; levam remédios, vacinas, fazem censo da população contando as novas crianças nascidas, como é visto neste documentário de Otávio Cury.
 
Estas visitas mostram como se desenvolve um contato entre culturas diferentes em que os estranhamentos permanecem, de parte a parte, assim como as interações. Há também agentes de saúde/enfermeiros indígenas – mas, apesar do aprendizado das técnicas da medicina branca, eles não abrem mão dos xamãs, além de fazerem a tradução.
 
Os técnicos brancos – alguns dos quais aprenderam, igualmente, a respeitar a sabedoria dos xamãs – observam que uma das dificuldades é que a língua deles é muito sucinta. Também devem aprender rapidamente que não se deve pronunciar o nome dos mortos.
 
Os tabus yanomamis envolvem fotos e filmes, que algumas comunidades acreditam terem o poder de capturar algo deles. Por conta disso, o próprio cineasta usa subterfúgios e eventualmente filma escondido – transgressão que, às vezes, enfermeiros também se permitem, por razões médicas. Este temor tem a ver com a mitologia deles, que acreditam na atuação de seres maléficos nesta situação. Um deles, por exemplo, não quer que filmem os idosos, porque fica a sua imagem depois que morrem.
 
Esta situação, no entanto, não é unânime entre todas as comunidades. Entre algumas, pode-se mesmo observar índios filmando com o celular. Em Maturacá, eles mesmos se filmaram numa dança, na inauguração da primeira Unidade Básica de Saúde Indígena (28/7/2015) – um local cujo acesso externo é feito de helicóptero.
 
De todo modo, o documentário serve para nos aproximar desta realidade tão distante de muitos de nós, quando os yanomami, tanto no Brasil, quanto na Venezuela, parecem estar suscetíveis a novas ameaças, como um surto de sarampo na região (o que ainda não ocorria na realização deste filme). Por isso, a sequência final, que mostra uma visão aérea da mata que é sua morada, é capaz de despertar emoções contraditórias e, igualmente, uma preocupação para que haja um futuro promissor e protegido para esta e outras nações indígenas.

Neusa Barbosa


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